Resenha | Um Encontro de Sombras - V.E Schwab

Ano: 2019
páginas: 542
Editora: Tor Books
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Ano: 2017  
páginas: 560
Editora: Record
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A V.E Schwab é uma autora que mesmo tendo lendo apenas dois livros dela, já senti que ela seria uma das minhas autoras favoritas, só que mesmo acompanhando tudo o que essa mulher postava nas redes e vibrando a cada lançamento eu ainda não tinha lido nada além daqueles dois livros, porém finalmente criei vergonha na cara e decidi terminar a trilogia Tons de Magia (afinal Threads of Power vem aí) e meu Deus, como me arrependi de ter demorado tanto para lê-lo.

 

A história se passa quatro meses após o final do livro anterior e tudo parece que estar de volta ao normal, mas não completamente. Kell continua seus deveres como mensageiro entre as Londres e está sendo culpado pelos acontecimentos da noite negra, sendo duramente punido pelo rei, que lhe colocou escoltas e reduziu as idas as outras Londres, porém nada disso chega perto dos pesadelos que Kell enfrenta desde o acidente de Rhy. O príncipe por sua vez tem a árdua tarefa de organizar o Essen Tasch (uma competição entre os melhores mágicos dos reinos de Arnes, Faro e Vesk) e parece estar alegre como sempre, mas sente que existe uma escuridão a espreita só esperando pra levá-lo. E Lila, bem, agora que ela encontrou uma boa aventura irá aproveitar o máximo para descobrir sobre esse novo mundo e como ela se encaixa nele. 

 

Londres está em polvorosa com o grande evento (já que além de diversão e novos rostos, rumores dizem que um certo nobre retornará a cidade para competir) e enquanto a cidade vibra a cada partida, outra Londres volta a florescer trazendo não apenas aqueles que se pensava estarem perdidos, mas tambem uma magia que foi capaz de destruir todo um mundo.

Ao meu ver dá para dizer que o livro é dividido em duas partes: na primeira vemos as consequências dos acontecimentos da noite negra e por mais que eu concorde que essa parte foi bem parada e que nada realmente importante acontece, é nela que temos a maior parte do desenvolvimento dos personagens e da construção de mundo, então pra mim nem foi tão doloroso assim, mas já fica aqui o aviso.


Dessa vez aprendemos mais sobre a vida de Kell e como é a sua relação com a família real, principalmente com Rhy já que agora ambos dividem uma vida e gente como esse menino sofre. Eu morri de dó ao ver o quão torturado ele ficou após a possessão da Vitari e como ele acha que deve carregar o mundo nas costas pelo fato de ter dado a vida ao irmão, aliás eu achei o comportamento de "pais adotivos" do Rei e da Rainha perante ao Kell bem duvidosos e sinceramente achei muita cara de pau eles fazerem o que fizeram com ele e ainda querer que ele concorde com tudo. 

 

Para contar o outro lado da moeda temos capítulos com o ponto de vista de Rhy e essa adição foi muito mais que bem vinda. O personagem de mostra muito mais complexo do que achávamos tendo acesso apenas aos pensamentos de Kell e aqui entendemos melhor sobre a pressão que o mesmo sofre por ser o príncipe herdeiro e por se considerar culpado por tudo o que o irmão está sofrendo.  


Agora a Lila, sem sombra de dúvidas foi a personagem que teve o maior desenvolvimento nesse livro e por mais que eu não goste muito dela e de seu jeito "eu sei tudo da vida, me deixa", aqui pude compreender melhor seus comportamentos e até dar razão a ela em algumas ações. As cenas dela são as mais intrigantes e mais reveladoras, pois assim como nós leitores ela também é nova nesse mundo e está aprendendo tudo do zero.

 

Alucard por sua vez é um ótimo acréscimo ao time de protagonistas e com seu charme e jeito misterioso já se tornou um dos meus personagens favoritos. A química que ele possui com Lila é simplesmente perfeita e eu adorei as partes em que eles ficam tentando descobrir os segredos do outro. Ah não posso esquecer que eu também o amo o fato de que a Victoria não tinha percebido que que Alucard é Drácula ao contrario, o que fez vários fãs jurarem que o personagem tinha um pézinho no submundo HAHAHHA

Já a segunda parte da história com o início do Essen Tasch, a história começa a tomar forma e dizer qual direção tudo aquilo está indo. As cenas das lutas são de tirar o fôlego e muito bem descritas e me lembrou muitos dos torneios de artes marciais que assistia em animes como Dragon Ball e Yu Yu Hakusho. Também gostei muito do fato de que a competição foi usada não apenas para nos dar cenas de ação, mas sim explicar melhor sobre o governo e as alianças de Arnes, pois  uma das coisas que eu mais gosto em livros de fantasia é saber mais sobre o governo e como tudo aquilo funciona e perceber que mesmo sendo o mundo que mais prospera dentre os quatro, Arnes está longe de ser um governo em que todos estão felizes e de acordo com as decisões tomadas pelos Maresh.

 

Fiquei chateada que essa melhor explicação de mundo ocorre apenas com a Londres Vermelha e eu entendo o fato de isso acontecer, já que esse é o mundo dos protagonistas, só que desde o livro anterior eu queria saber mais sobre os outros mundos, como a comunicação entre eles começou, como foi a reação dos governantes ao descobrir sobre outros mundos, mais sobre o Londres negra.... enfim espero que no próximo isso seja respondido. Outra coisa é que eu achei o romance um pouco forçado, não é que os personagens não possuem química, mas só acho que não teve nada que fizesse esse sentimento nascer.

 

A minha edição é uma versão de colecionador que vende na Amazon e que eu estava namorando a anos! Além dessa existe também uma outra versão que vende na Barnes & Noble e que tem mais conteúdo, mas como eles não entregam no Brasil comprei a da Amazon mesmo. Ela vem com fanarts, um glossário com termos em Arnesiano e um capitulo extra que mostra como é a vida de um ganhador do Essen Tash e que nem tudo são flores.

No geral tive a impressão de que esse livro não era uma continuação do anterior, porque o tom da história destoava e muito do frenesi que foi o "Tom mais escuro de magia", dando a impressão que esta é uma história totalmente nova, com novos personagens, mas situada no mesmo universo. Porém conforme tudo foi se desenrolando fui surpreendida pelo modo como as coisas foram se amarrando e percebendo como pequenas ações do livro anterior tem um grande impacto nessa parte história. 

 

PS. É altamente recomendável que ao começar esse livro você já tenha o terceiro em mãos, porque o cliffhanger do final é agoniante!

Resenha | Endgame - Rules of the Game - James Frey e Nils Johnson-Shelton

Ano: 2016
Páginas: 327
Editora: HarperCollins
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Gostar de séries estrangeiras que não fazem tanto sucesso no Brasil é sempre uma caixinha de surpresa, afinal nunca se sabe até quando a editora vai continuar lançando os próximos volumes e pode acontecer de a história ser abandonada no meio deixando nós leitores desamparados sem saber como aquela história acaba. Isso aconteceu comigo enquanto lia a trilogia Endgame, que faltando apenas um livro pra concluir a história foi abandonada pela Intrinseca, e então 6 anos depois dessa decepção finalmente consegui atingir um nível de inglês suficiente para concluir a história que explodiu a minha cabeça. 


 [SPOILER DOS LIVROS ANTERIORES]


O Endgame chegou em sua fase final e agora que Maccabee é o detentor das duas chaves, resta apenas uma para coroá-lo como vencedor e assim garantir a salvação de toda a sua linhagem, mas depois da descoberta de Aisling de que o Endgame pode ser parado, salvando as milhares de vidas do planeta Terra, as regras do jogo mudaram e agora os jogadores devem escolher entre jogar o Endgame até o fim ou fazer o possível para pará-lo. Porém, não importa pelo o que eles estarão jogando, todos os jogadores têm uma coisa em comum: estão dispostos a morrer para cumprir sua missão.

 

Minha relação com esse último volume é cheio de sentimentos conflitantes, pois ao mesmo tempo que devorei esse livro em 5 dias e vibrava a cada página virada, no final me senti um pouco decepcionada ao ver como alguns personagens importantes foram praticamente deixados em segundo plano e como alguns mistérios que foram de grande foco nos livros anteriores foram esquecidos. 


Pra começar a redução de personagens fez com que o desenvolvimento dos mesmos ficasse mais elaborado, sendo possível conectar-se mais a eles de modo a entender melhor suas motivações para jogar ou acabar com o Endgame. Me incomodava o fato de nos livros anteriores eles focarem mais na Sarah (fato esse que eu acho que era porque ela é a jogadora americana) e eu fiquei muito feliz quando a Shari, Aisling e o Hilal começam a ter mais mais capítulos. Outro ponto positivo sobre a redução de personagens é que temos uma visão melhor de que apesar do modo de treinamento pro Endgame ser quase igual para todos as linhagens, o modo com ele é imposto a cada um dos jogadores reflete em como cada um vê o Endgame e como eles lidam com as decisões que tomaram ao logo do jogo pra chegarem onde estão. Eu particularmente adorei a trajetória da Sarah lutando para lidar com o fato de ter matado Christopher, a batalha interna da Shari para proteger a família e parar o Endgame e também entender mais sobre o porque do An ser do jeito que é.

 

 

Porém esse desenvolvimento não se estendeu aos personagens do ARG que foram introduzidos depois na narrativa. Depois do fiasco que foi a história do Ea no livro passado eu pensei que eles iriam  se redimir e melhorar a narrativa da Stela, porém mais uma vez fui iludida. A personagem foi tão mal utilizada que na minha opinião deveriam ter deixado a história dela no ARG e me poupado da raiva que passei com o que li. Outra revolta minha foi que do modo como a personagem da Nori Ko foi jogada na história e eu não conseguia pensar que a Nori Ko do livro era a mesma do ARG, simplesmente porque as personalidades não batiam! O único personagem que se salvou foi o Greg e acho que é porque ele foi o menos explorado no ARG então não tínhamos como criar expectativas sobre ele.

 

Sobre o plot, ele continua com tudo o que me fez adorar a série: cheio de cenas de ações dignas de filmes e bem mais imprevisível do que os outros, com tantos plot twists que por vezes eu tinha que ler novamente o parágrafo para ter certeza de que o que eu tinha lido tinha realmente acontecido e que aquele jogador tinha realmente morrido. Mas como eu citei anteriormente muitas coisas que foram indicadas como importantes nos livros anteriores foram deixados de fora, dando a impressão de que pra acabar a história dentro das 300 páginas, os autores tiveram que simplificar tudo, empobrecendo a mitologia da história. Tenho a impressão que essas lacunas seriam preenchidas com os conteúdos de transmídia, mas como não rolou, apenas seguiram em frente e tocaram o barco.


Com isso o final da trilogia foi algo diferente do esperado, muito rápido, sem muitas explicações, com um final aberto, não combinando em nada com toda a grandiosidade que foi a trilogia e por isso quando terminei o livro fiquei com o sentimento de que esperava algo mais, foi quase o mesmo sentimento que tive com o final de LOST: entendi, fez sentido, mas refletindo a construção da obra não me satisfez. Ah e sobre os puzzles, o do primeiro livro foi descoberto e o ganhador realmente levou o prêmio, mas infelizmente não consegui ver sobre os outros, já que nenhum dos links funcionam mais =/

 

 

Endgame começou como um projeto revolucionário, com uma narrativa de tirar o fôlego e a promessa de um novo modo de contar histórias, mas por causa de fatos desconhecidos (pelo menos pra mim) não conseguiu atingir o seu potencial, mas foi o suficiente para entregar uma boa historia mesmo tendo o projeto inicial (que incluia os livros, o ARG, um jogo mobile e 3 filmes) não sendo concluído completamente.

[Tag] The anti TBR

Já tem um tempo que vejo essa tag perambular pelo booktube e desde o primeiro vídeo assistido me descobri viciada nela, pois as pessoas tem a tendência de serem mais detalhistas ao explicar algo que não gostam e com isso foi possível que eu descobrisse livros que venha a gostar (tipo teve uma pessoa que disse que não gosta de fantasia e que por isso não gostou de tal livro e eu que adoro fantasia, automaticamente já coloquei ele na minha lista hahahaha) e também porque alguns tópicos da tag são uma ótima maneira de discutir algo sobre um livro e trazer um novo olhar sobre o mesmo.

 

Um pequeno disclaimer: Não é porque eu não gosto de um livro que ele é a pior obra da humanidade, ele só não é do meu gosto e tudo bem outras pessoas gostarem dele. Outra coisa, a vida é uma eterna caixinha de surpresas e é totalmente possível que eu acorde um dia, morda minha língua e resolva ler um dos livros dessa lista, então já digo que ela é válida pra o momento em que eu vivo agora. 😜


Dito isso vamos lá ^^

  

 1 - Um livro popular que todo mundo ama, mas você não tem interesse em lê-lo.

Essa foi a pergunta mais difícil de responder, pois geralmente eu adoro livros populares, mas depois de muito pensar e várias pesquisas no Skoob e Goodreads cheguei a conclusão de que seria After, porque o pouco que eu pesquisei sobre esse livro me mostrou o quão problemático é o romance do casal principal e eu não tô afim de passar raiva, já que pra isso é só eu ler os notícias sobre o governo

 

2 - Um livro ou autor clássico que você não tem interesse em lê-lo 

Moby dick, e nem é pelo tamanho do livro, pq o meu sonho é ler Le Mis na integra, é só porque nunca me chamou a atenção ler um livro sobre uma pessoa que quer matar uma baleia. Poxa deixa a baleia em paz e vai viver a sua vida em paz!

 

3 - Um autor que você não tem interesse em ler seus livros 

Collen Hoover. Eu não tenho nada contra ela ou os livros, é só que as sinopses nunca me chamaram atenção e todos os livros parecem ter o mesmo plot.

 

4 - Um autor problemático que você não pretende ler seus livros  

Eu estava muito afim de ler a mulher na janela do A. J. Finn, por causa do filme, mas depois que eu vi o vídeo do Paulo do livraria em casa e descobri que o autor é um mentiroso compulsivo, que disse que tinha um câncer, que sua mãe tinha morrido e que havia participado de um monte de projetos que depois vieram a ser famosos. Sério gente, quanto mais eu pesquisava sobre ele, mas coisas bizarras apareciam e por isso ele vai ficar longe da minha estante.

 

5 - Um autor que você já leu alguns livros e decidiu que não é pra você 

Eu tenho um problema que quando uma adaptação de livro para o cinema/TV está para lançar eu tenho, porque tenho que ler o livro primeiro. Então antes de ver o Diário de Bridget Jones eu resolvi ler os livros da Helen Fielding e olha, foi uma decepção tão grande que eu ainda não vi os filmes (e olha que o filme tem o Colin Firth como Darcy). Eu sei que o livro foi escrito nos anos 90 e que por isso era comum mostrar mulheres que eram fixadas em emagrecer e casar, só que por mais que eu tentasse ter isso em mente, não consegui passar.

 

6 - Um gênero que você não tem interesse OU um gênero que você tentou curtir, mas não rolou. 

Eu não sei o que acontece comigo, mas eu tenho um bloqueio enorme com poemas. Não consigo ler no tempo certo e não consigo entender o que o autor que dizer com o texto, por mais que eu tente (e olha que foram muitas vezes) simplesmente não vai.

 

7 - Um livro que você comprou, mas que não pretende ler (pode ser um livro que você já se desfez ou até mesmo um livro que você pegou emprestado na biblioteca ou com um amigo e devolveu sem lê-lo)

Desculpa amantes de Paulo Coelho, mas esse lugar é d'O Alquimista. Eu peguei ele com um amigo que estava de mudança e doando alguns livros e a princípio eu realmente queria ler ele, pois nunca tinha lido nada do autor, só que conforme os anos se passaram, outros livros se tornaram mais apelativos e  a vontade simplesmente sumiu e acabei doando ele.

 

8 - Uma série de livros que você não tem interesse de lê-la OU uma que você começou e não pretende terminar 

Esse posto definitivamente vai ficar com Gossip girl. Peguei os livros para ler quando a terceira temporada da série estava no ar e foi um choque quando eu vi que os livros eram BEM diferentes da adaptação de TV. Não sei o que me desagradou mais, se foi a escrita da autora, os personagens serem BEM mais mimados do que os da série ou se foi a simplicidade do plot, só sei que consegui ler até o quinto volume e depois decidi que ia ficar só com a série mesmo.

 

9 - Um lançamento recente (ou que será lançado em breve) que você não está interessado em lê-lo.

Pra essa pergunta eu tive que ir pesquisar os lançamentos, porque eu tô com tanto livro parado para ler que parei de ver lançamentos porque senão minha TBR nunca iria abaixar. Mas o escolhido foi o novo livro do Soman Chainani da série escola do bem e do mal "O cristal do tempo", pelo simples fato de que eu não sei nada sobre a série e o autor, a não ser que ele é mega amigo da Victoria Aveyard e que vai rolar um crossover entre as histórias dele e da Rainha Vermelha 


E aí o que acham das minhas respostas? Concondam ou discordam?

Web série | Autodale

 


Há um tempo atrás uma miniatura de uma animação em preto e branco, com um personagem usando uma mascara sorridente um pouco assustadora e com uma etiqueta na testa escrita "feio" apareceu na minha home do Youtube. O nome do vídeo em questão era "Being Pretty" | Dystopian Animated Short Film (Sendo bonito | Curta-metragem de animação distópica, tradução livre) e através dele fui apresentada ao mundo de Autodale, uma cidade automatizada onde todos os cidadãos são perfeitos em suas vidas perfeitas, porém conforme vamos adentrando os perímetros da cidade e entendendo seu funcionamento percebemos que a perfeição tem um preço muito alto.


Nesse mundo ambientado numa mistura de EUA dos anos 50 e cidade industrial, espera-se que todos sejam perfeitos/bonitos e por isso os habitantes de Autodale agem todos da mesma maneira: o pai sendo o provedor da casa, a mãe sendo a perfeita cuidadora do lar e as crianças almejando serem bonitas iguais os adultos para então terem suas próprias famílias e continuarem o ciclo.
 
A cidade é controlada por um ser meio máquina, meio humano chamado de "matriarca" que vive escondida de todos na torre central da cidade e que comanda os robôs que são encarregados da segurança da cidade. Manter tudo bonito é imperativo para que a cidade continue funcionando e mantendo os cidadãos protegidos do que há fora das muralhas da cidades, mas qualquer comportamento que desvie do padrão é considerado feio o que significa que esse indivíduo não serve para contribuir com a cidade. Ser feio significa a morte, tentar fugir significa a morte. 

 


   "Olá, cidadãos da Autodale! Vocês são bonitos. Seus vizinhos, amigos e familiares também são bonitos. Mas, infelizmente, nem todos são bonitos. Alguns são feios ... Nós, aqui da Autodale, não queremos "feios".


Cada episódio é centrado em um personagem diferente e vai nos explicando como é a vida em Autodale, como as pessoas se comportam, como a cidade funciona e porque todos tem que ser bonitos. Ao mesmo que é interessante descobrir como Autodale foi criada, é muito assustador ver como essa sociedade se tornou tão passiva e como a lavagem cerebral que foi feita nos habitantes faz com que eles não consigam ver tudo o que há de errado, mesmo quando as situações se apresentam bem explícitas diante deles. Esse último fato me fez pensar muito no que estamos vivendo hoje em dia e criar um paralelo com o que estamos vivendo hoje em dia, com as várias pessoas sendo controladas por meio de mentiras sendo contadas através das redes sociais e praticando linchamentos virtuais a qualquer outro que pense diferente.

A série criada por David James Armsby vem sendo lançada desde 2017 no formato de curtas, porém como tudo é feito pelo Armsby (história, design, modelagem em 3D e direção) a periodicidade dos episódios é de geralmente dois episódios por ano. Não, você não leu errado são DOIS episódios de cerca de OITO minutos cada POR ANO, mas meio que pra compensar a grande espera pelos episódios, são lançados também vídeos de todo o processo criativo e do making of dos curtas e a partir deles é possível tirar ainda mais conteúdo sobre esse mundo.

 


Um outro ponto bem legal é a comunidade que foi criada em volta da história. Os comentários dos vídeos são bem movimentados, cheios discussão sobre o lore, teorias sobre os próximos capítulos, referencias a outros materiais, ou seja essa sou eu levando oito minutos para ver o curta e mais trinta para ler os comentários e refletir sobre o as discussões😅

Enfim, eu estou bem curiosa sobre onde tudo isso vai levar, sobre descobrir mais sobre Autodale, mais sobre o mundo fora da cidade, sobre quando tudo começou, de onde veio a matriarca e espero que que esse post faça que vocês deêm uma chance para o distorcido mundo de Autodale

 

 PS. Apesar de ser toda no Youtube, os curtas possuem legendas em português

 

Curtas de Autodale

 

Making Of dos curtas


Releitura, uma meta para 2021

Ano passado tivemos o lançamento de novos livros de séries que marcaram minha vida como leitora, Jogos Vorazes e Crepúsculo, e como eu não lembrava muitas coisa sobre as histórias (apenas o plot geral e algumas cenas dos filmes) resolvi reler as duas séries como preparação e para aproveitar o máximo aqueles mundo que estavam voltando para mim. As releituras fizeram com que eu relembrasse não apenas a história, mas como também entendesse melhor os personagens, suas personalidades e como isso refletia na trama do livro além de enxergar mais significado no plot (no caso de Jogos Vorazes construir um paralelo com o mundo que estamos vivendo). 

 

Sei que com tanto lançamento, reler algo soa como tempo perdido, afinal por que reler algo que já se conhece em vez de ler algo novo e descobrir uma nova paixão? Mas então comecei a refletir que uma história, mesmo que já conhecida, nunca é a mesma quando a relemos, porque nós não somos os mesmas pessoas de quando lemos aquele livro pela primeira vez, envelhecemos, adquirindo novas experiências, conhecemos novas pessoas, novos lugares e tudo isso impacta sob como interpretamos algo.


Com isso resolvi que em 2021 além de ler os livros da minha TBR que não termina nunca (e que já até desisti de terminar ela algum dia😂) vou reler algumas das séries e standalones que habitam minha estante e além de relembrar sobre o mundo que me cativou (afinal, sou parente da Dory) ver o que de novo estas histórias podem me trazer. 

 

Aqui em baixo está a "pequena" lista de coisas que pretendo reler e sim, eu estou ciente que algumas séries que eu escolhi reler tem muitos livros (Oi Cassandra 👋), mas não custa tentar, não é mesmo? 

 

  • Endgame
  • Percy Jackson
  • Todos da Cassandra Clare
  • Filhos do Eden
  • S.
  • Todos os livros do John Green
  • Desventuras em série
  • As Cronicas de Nárnia 

 

E vocês o que acham de reler livros? Vocês tem esse costume? Deixa aí nos comentários.

Resenha | A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes - Suzanne Collins

Ano: 2020
Páginas: 528
Editora: Scholastic Press
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Páginas: 576
Editora: Rocco
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Quando a Suzanne Collins anunciou que iria lançar mais um livro sobre o mundo de Jogos Vorazes, tenho certeza que todos os fãs da série ficaram em êxtase sobre possuírem mais uma fonte sobre o universo de Panem e o quanto ele poderia enriquecer ainda mais as discussões que rodeiam a série. Também tenho certeza que foi um balde de água fria descobrir alguns meses depois que essa história seria contada pelo ponto de vista do presidente Snow, afinal quem gostaria de uma história contada pelo ditador de Panem? Porém após ler o livro pude perceber o quanto esse ponto de vista foi necessário para que pudéssemos entender melhor não apenas sobre o personagem do Snow, mas como tudo o que ele viveu refletiu no que conhecemos dos Jogos Vorazes do tempo de Katniss.

 

O livro se passa 10 anos após o fim da guerra entre a capital e os distritos, ou seja, a décima edição dos Jogos Vorazes está para começar e nesse ano uma grande mudança com relação aos jogos está para se feita e fazer como que o "evento" torne-se mais popular entre as pessoas: a implementação do sistema de mentores e para esse cargo são escolhidos os melhores estudantes da escola de elite da Capital e entre eles está Coriolanus Snow.

 

A família Snow é uma das mais importantes da Capital, mas que encontra-se em decadência já que todos os seus investimentos estavam no Distrito 13 e Coriolanus vê nos Jogos uma maneira de ser bem sucedido e garantir novamente o prestigio ao nome da família, entretanto ele vê esse sonho destruído quando descobre que vai mentorar a garota do pior distrito do país, o Distrito 12.

Como a própria Suzanne disse, o tema central dessa história é sobre a natureza humana, quem somos e o que percebemos ser necessário para nossa sobrevivência e para isso ela nos mostra uma trama muito mais política (e que eu particularmente adoro) e deixa os jogos em si em segundo plano. Aqui vemos como os dias escuros fizeram com que a população da Capital passasse a ter um rancor enorme dos distritos e como isso era refletido no jogos, nos fazendo entender como eles são importantes para manter o poder nas mãos da capital e principalmente o quão importante para a manutenção desse poder  conseguir um meio de passar esse sentimento adiante para as próximas gerações. Com isso vamos entendendo como a população foi sendo manipulada para assistir os Jogos mesmo sendo tão inumanos e horríveis  e como o evento passou de crianças numa arena de shows lutando até morte, para todo o evento glamorizado que irá se tornar anos mais tarde.

 

Uma das coisas que eu fiquei mais receosa quando descobri que o Snow iria ser o "herói" da história, era como ele seria retratado. Será que ele seria mais humanizado e que nós como leitores sabendo tudo o que ele irá fazer no futuro iríamos simpatizar com ele e acabar o perdoando por tudo o que irá fazer com os distritos no futuro? E a resposta foi um satisfatório não, já que desde o inicio vemos que o Snow não se importa com nada além dele e com o nome da família então prepare-se para uma narrativa que é feita justamente para que o leitor realmente não goste do personagem principal.

 

O personagem se acha merecedor de tudo o que há de melhor, afinal sua família é uma das mais antigas do país, e quando algo de ruim ou que pode arruinar sua reputação acontece, como por exemplo receber a garota do 12 para mentorar, ele se acha mega injustiçado. O que eu achei de mais horrível nesse personagem (e disso isso não de um jeito ruim) e que é algo que mostra como o Snow como presidente transformou a Capital e Jogos no que vemos na trilogia original é que a autora o coloca em várias situações em que ele poderia ser uma pessoa boa, com diálogos em que outros personagens apresentam argumentos válidos mostrando porque a situação X é ruim e o Snow cria um super raciocínio para justificar as ações que ele vai fazer para salvar a pele

Sejanus é um desses personagens, ele é um dos principais contrapontos para tudo o que o Snow acredita que é certo e através dos diálogos deles nós leitores somos constantemente lembrados do quanto a Capital é ruim e que nunca estará saciada com o poder que tem. Além disso um outro ponto que chamou muito minha atenção, foi sobre como as pessoas que eram dos distritos e acenderam socialmente por causa da guerra são vistas por essa sociedade. Eu achei muito muito bizarro ver que por mais que estejam numa situação decadente e algumas famílias (como a do Snow) vivendo de aparências, elas dizem que a cidade está sendo contaminada com pessoas de baixa escalão e que essas pessoas não podem ter acesso a mesma coisa que eles.😒

 

Outra personagem que merece destaque é a maravilhosa Lucy Gray que já mostra ao que veio desde a primeira cena em que aparece. O jeito como ela se porta diante das situações, as coisas que ela fala, as músicas que ela canta, tudo nessa personagem é uma certeza de que ela não vai mudar apenas os Jogos Vorazes, mas toda a Capital. Queria poder falar mais o tanto do impacto que ela causa na história, mas aí seriam spoilers enormes e vale a pena ir descobrindo tudo aos poucos, ir saboreando cada descoberta.


Falando agora sobre easter eggs, para mim ler essa história foi berro atrás de berro, pois como tinha relido toda a trilogia original tudo estava bem fresco na minha mente. Com isso pude ver em como esse livro conecta-se com os outros, fazendo com que eu criasse milhares de teorias sobre a ancestralidade da Katniss e até com uma sensação de que a raiva de que o Snow sente por ela vai muito mais do que o desafio a Capital com a amoras, mas sim uma coisa muito mais pessoal e intima. Então recomendo muito que vocês vejam nem que sejam os filmes para aproveitarem ainda mais o livro.

 

Essa é uma história que com certeza não vai agradar a todos, por causa de seu desenvolvimento mais lento e quase sem cenas de ação, mas ainda sim é uma grande adição ao mitologia da série. Com ela entendemos mais não apenas sobre o ditador do presidente Snow, mas também aprendemos sobre como todas as outras pessoas que governam Panem conseguiram manter o poder através de um programa onde crianças vindas de lugares com condições desumanas devem matar umas as outras.


1ª Bienal Virtual do Livro de SP


Com uma nova data e um novo local a 26ª edição da Bienal internacional de São Paulo iria acontecer esse ano, mas como a maioria dos eventos programados para 2020, ela acabou sendo cancelada e se tudo der certo só teremos novamente o vislumbre de pessoas esperando horas por um autógrafo, correndo no meio do pavilhão porque descobriu que o estande X está fazendo promoção relâmpago ou gritando nos corredores porque encontraram os amigos, em 2022. Porém não vamos ficar totalmente sem o evento literário já que foi anunciada a Bienal Virtual.


O evento que ocorrerá entre os dias 7 e 13 de Dezembro será totalmente online e contará com diversos painéis além é claro de um espaço para compra de livros. Infelizmente ainda não se sabe muito sobre como vai funcionar o evento ou sobre a programação (se vão ser lives ou painéis gravados, se vai ser no youtube ou em uma plataforma própria, como vai ser a parte da venda dos livros), mas até a data desse post o instagram da Bienal já liberou o conteúdo de alguns painéis:


  • 08/12 ás 11h - "Espiritualidade e esperança em tempos de pandemia" com Daniel Martins de Barros, Padre Carlos Alberto Contieri, Petria Chaves
  • 09/12 ás 11h - "Os Signos na Literatura" com Daniel Bovolento, Pam Gonçalves, Solaine Chioro, Titi Vidal, Vítor diCastro
  • 09/12 ás 15h - “Como alcançar seus objetivos” com Veronica Oliveira, Nath Finanças, Fernando Rocha, Fernando Martins
  • 09/12 ás 17h - "Agatha Christie" com Raphael Montes, Bem Rodrigues, Tito Prates, @lardaagatha
  • 12/12 ás 15h30 - “Ensinar e aprender na internet” com Gavin Roy, Tatiany Leite, Sueli Conte, Rafael Procopio
  • 13/12 ás 11h - "Livros infantis" com Cristino Wapichana, Rodrigo Franca, Kiusam de Oliveira
  • 13/12 ás 17h - "Mistério, terror e a decadência humana" com Aline Valek, Barbara Moraes, Felipe Castilho


Agora vem a melhor parte de todas: o evento vai ser gratuito! Então se você assim como eu ficou curioso sobre como vai ser o evento e deseja participar é só fazer o seu cadastro no site da bienal e contar os dias :)


PS. A responsável pela programação da Bienal Virtual é a Diana Passy, uma das co-criadoras da FLIPOP, ou seja esperem que vai vir muita coisa boa!

Resenha | O Diário Secreto de Lizzie Bennet - Bernie Su e Katie Rorick

Ano: 2014
Páginas: 364
Editora: Verus Editora
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Ano passado descobri a websérie "The Lizzie Bennet Diaries" que tornou-se uma das minhas coisas favoritas de 2019, no post que eu fiz mencionei que soube da existência dela primeiramente por causa do lançamento do livro baseado na websérie e que na época era encontrado em todas as livrarias. Então depois de ter visto toda a série (mais de 3 vezes, devo confessar ^^), achei legal pegar esse livro e ver como essa adaptação foi feita, afinal nunca é demais ter mais uma versão de Orgulho e Preconceito na estante ^^

Para saber mais sobre essa adaptação é só ir nesse post, mas resumindo nessa versão de Orgulho e Preconceito, Lizzie é uma pós graduanda em comunicação que resolve fazer sua tese baseada na comunicação das massas e para isso resolve criar um vlog para contar da sua vida e de sua família. Então através do diário da Lizzie vemos toda a história contada na websérie pelo ponto de vista da protagonista e muito mais, já que através dos vídeos podiamos perceber que a Lizzie não contava muita coisa que acontecia em sua vida para os inscritos, justamente por ser pessoal demais.


Primeiramente digo que é totalmente possível ler o livro e não ter visto a websérie, pois ele é muito completo (tendo até a descrição exata de alguns episódios) e conta a história do começo ao fim, mas para quem já viu a série ele age como um dos elementos de transmídia da história e ajuda o espectador a preencher vários gaps, já que muitas das cenas "extras" são coisas que não caberiam na narrativa do vlog ou seriam muito difíceis de serem gravadas devido a orçamento.

 

 

Por se tratar se algo mais pessoal, o livro nos trás mais detalhes da família Bennet, (conhecemos melhor os pais de Lizzie , a situação financeira e como é a dinâmica da família), sobre a vida acadêmica da Lizzie (Mrs Gardiner a salvadora da pátria), bastidores da criação dos vlogs e como eles acabaram ficando famosos (eu adorei o fato de terem citados pessoas reais da internet o que deixou tudo bem mais real e um pouquinho datado HAHAHAHHA) e por fim todas as cena que apenas tínhamos apenas lido sobre nos tweets trocados entre os personagens no twitter, como por exemplo: a festa onde ela conheceu o Darcy, o tour por San Francisco e a Lizzie apresentando o Darcy para os pais. Então se apenas com a série eu já amava os personagens e a história agora esse sentimento foi exponenciado a décima potencia :) 

 

Por mais que eu adore ver os costume theater que a Lizzie faz sobre as cenas em que ela interage com o Darcy, ler como as coisas de fato aconteceram nos faz perceber em como várias ações dele devido a sua timidez são mal interpretada pela Lizzie e com isso temos uma melhor visão de como o relacionamento deles vai evoluindo do ódio até a paixão (tópico que na série ao meu ver foi tratado de maneira bem superficial), e se eu tive ataques de fangirl toda a vez que eles interagiam na tela, não estava preparada para os ataques ainda mais intensos que iria ter aqui. Alias, no livro temos na integra a carta do Darcy e gente, como eu surtei nessa parte HHAHAH

 

 

Apesar de esse livro ter se tornado meu favorito do ano, a única coisa que me incomodou foi uma coisa boba e tenho certeza só existe na minha cabeça e isso se deu ao fato de ter lido o livro em português sendo que tinha visto toda a websérie (várias vezes) em inglês. Eu sei que isso é uma coisa boba, mais era muito estranho ler a Lydia falar "Total" e "Adorável" em vez de "Tots" e "Adorbs" e o Wickham chamar as pessoas de "boneca" em vez "peach", enfim, coisas da minha cabeça.


De modo geral, seja agindo como uma história independente ou como um complemento aos vlogs de Lizzie, o livro cumpre totalmente o seu propósito de ser uma versão moderna, inteligente e ainda assim fiel a essência do trabalho de Austen, sendo uma ótima porta de entrada para aqueles que querem conhecer o trabalho incrível da autora, ou apenas matar as saudades dos personagens que nos cativaram tanto.

 

 

PS. Um ótimo jeito de ler esse livro é ler intercalado com os vlogs, pois assim é possível ter uma visão por completo da história e até entender melhor o porquê do comportamento de certos personagens.

Resenha | Temporada de Acidentes - Moïra Fowley-Doyle

Ano: 2016
Páginas: 256
Editora: Intrínseca
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Chegamos ao fim de Setembro e por mais que o Halloween não seja uma data comemorada oficialmente no Brasil, sempre vejo que em Outubro as pessoas começam a montar TBRs temáticas de terror/suspense. Esse ano achei legal recomendar um livro para todos que assim como eu, não conseguem ler nada de terror (sim, sou medrosa), mas ainda assim querem ler algo que contenha uma aura de mistério, vai adorar descobrir sobre a temporada de acidentes que acomete a família de Cara ano após ano.


Toda vez em Outubro tudo se repete, Cara e sua família envolvem todos os móveis da casa em plástico bolha, escondem objetos afiados, deixam de usar o fogão, estocam itens de primeiros socorros e utilizam 3 ou mais camadas de roupas, afinal a temporada de acidentes começou e imprevisível como só ela é, pode te deixar tanto com apenas algumas cicatrizes, como também pode também te deixar sem uma perna ou sem a sua vida.


O pai e o tio de Cara morreram durante uma das temporadas de acidentes, então sua família  é composta pela mãe (Melanie), pela irmã (Alice) e pelo irmão de criação delas, filho do ex-marido de Melanie (Sam). Durante a temporada cada membro da família lida com ela de um jeito: Alice não acredita na temporada, embora sempre seja afetada, Cara é sempre é cuidadosa, Sam que não era afetado, mas começou a ser recentemente e por fim Melanie é a que sofre mais durante a temporada, não fisicamente mais emocionalmente.


Esse ano a temporada vai ser diferente, ela promete ser umas das piores que a família já enfrentou e tudo começa quando Cara percebe e começa a investigar o porquê de uma antiga amiga estar em todas as suas fotos, tipo TODAS mesmo, uma mecha de cabelo, um tornozelo, um braço, Elsie parece não perder uma oportunidade, porém o mais estranho é que apenas Cara, seus irmãos e sua melhor amiga Bea parecem se lembrar de que Elsie existe.



A leitura desse livro foi uma surpresa muito agradável pra mim, pois essa história é muito mais do que aparenta ser e eu que comecei a lê-la para saber mais sobre essa estranha temporada de acidentes, acabei maravilhada por uma história cheia de camadas, sendo uma mistura de sobrenatural, suspense e drama familiar. 


Cara é uma garota que vê o mundo com outros olhos e em sua versão de mundo seus familiares e amigos são sereias, fantasmas e fadas, e justamente por possuir esse olhar mais sensível ela é capaz de atravessar a fachada que as pessoas projetam sobre si e poder vê-las por quem realmente são e quando olhamos o íntimo de cada personagens vemos o quanto amaldiçoados eles são, mas não por maldições do tipo que são lançadas por uma bruxa(o), mas sim por verdades escondidas e pequenas omissões que juntas corroem o interior deixando o indivíduo miserável. 


O modo com o qual a autora usou os elementos mágicos para nos mostrar mais sobre as pessoas, sobre como os traumas do passado as impactam e como a mente é capaz de criar mecanismos de defesa para que possamos viver a vida foi tão bem feito, que até eu que não sou muito fã de realismo mágico, me vi ávida para descobrir como a história iria se desenrolar e como tudo aquilo se conectaria com o mundo real.


Toda essa aura mágica faz aparecer que estamos dentro de um sonho, daquele tipo onde o sentimento de alerta está sempre no alto e que sentimos que a qualquer momento coisas terríveis irão acontecer e não podemos fazer nada a não ser esperar e torcer para que nada aconteça. Apesar dessa tensão a leitura é bem fluida e se você não tomar cuidado vai ter lido o livro todo em um só dia.


Embora seja um livro pequeno, Temporada de Acidentes entrega uma história bem completa e bem escrita. A atmosfera alarmista e melancólica forma o cenário perfeito para o leitor entenda as mágoas e incertezas que rondam a família de Cara e ao final entender que todo o segredo é apenas um acidente esperando para acontecer.


 

PS. Só depois que já tinha lido esse livro, vi que ele é indicado para quem gostou de mentirosos, livro esse que foi um dos meus favoritos em 2015, então meio que já tava na cara que eu gostar dele ^^