Game | Doki Doki Literature Club

 
A primeira vista Doki Doki Literature Club parece ser mais um jogo simulação de namoro, onde o jogador tem que escolher qual das protagonistas ele ofertará todo o seu amor, porém ao dar play em seu trailer somos apresentado a seguinte frase "Este game não é recomendado para crianças ou aqueles que são facilmente perturbados" e percebemos que esse jogo não é o que parece ser.

Na história você é um estudante que entra em um clube de literatura, graças a insistência de sua amiga de infância e lá conhece outras três garotas que estão fazendo ao máximo para que o pequeno club vire um clube oficial da escola.
 
  • Monika - Presidente do clube, bem popular entre os estudantes e é vista como sendo inteligente, segura de si e está sempre trabalhando duro para que o club seja bem-sucedido.
  • Sayori - A melhor amiga do protagonista e quem o convence a entrar para o clube. Ela é a vice-presidente do clube e é vista como inocente, alegre e muito boa em lidar com outras pessoas.
  • Natsuki - É a menor integrante do grupo e por várias vezes é confundida como sendo uma aluna do primeiro ano. Ela vista pelos outros personagens como impulsiva, teimosa e arrogante. 
  • Yuri -  É apaixonada por livros de horror e thriller psicológicos e esse seu gosto é altamente contrastado com sua personalidade, pois ela é retratada como sendo tímida, muito educada, sensível e madura.
 
Como qualquer simulador de namoro, você deve escolher uma garota para se tornar mais intimo e para isso você deverá escrever poemas com temas que seja do gosto de seu interesse romântico. Porém conforme a história vai avançando é possível perceber que as conversas com as personagens e os poemas começam a ficar mais sombrios e aí que vemos a verdadeira face de Doki Doki.
 
 
Não vou dar muitos spoilers, porque ao meu ver o melhor jeito de aproveitar Doki Doki é não saber  absolutamente nada sobre ele, exceto que é um jogo de terror psicológico. Sério gente não se deixem enganar pelas imagens fofas, esse jogo é realmente pesado então é bom levar o disclaimer do começo do jogo muito a sério, aliás eu particularmente acho que o disclaimer foi até muito leve e que na verdade ele deveria ser algo do tipo "Esse jogo não é recomendado para aqueles que não querem ser traumatizados pro resto da vida". 
 
Pra mim os modos encontrados para inserir terror numa narrativa "fofa", foi o que tornou esse jogo tão apelativo, as partes assustadoras não são tão gore e nem previsíveis. Este não é um jogo que assusta apenas por assustar, todos os sustos são feitos para fazer com que o jogador tenha uma nova perspectiva sobre os jogos do gênero de simulação de namoro, pensar sobre as pessoas que os desenvolvem, os jogadores que os consomem e porque eles possuem certos estereótipos.

Com isso vemos como Doki Doki possui uma narrativa maravilhosamente criativa e disruptiva, com diálogos que em um tempo vão te fazer pensar: "que fofa, me pede o mundo que eu te dou" e em outro "pera aí o que você disse? É isso mesmo? Vou fechar esse jogo agora!". E isso tornou a minha experiência com o jogo algo totalmente diferente de tudo com que eu tinha vivenciado e mesmo não sendo fã do gênero de horror psicológico (ou mesmo horror de modo geral), me vi literalmente viciada em descobrir o que estava acontecendo (mesmo quase morrendo do coração no processo 😁)
 
Outra coisa bem legal desse jogo são os easter eggs e apesar de agora ele estar disponível em diversas plataformas, eu particularmente ainda prefiro a versão para PC, que além de ser gratuita dá uma melhor experiência ao jogador caso ele deseje ir mais além da história central. E vou dizer a vocês que esses easter eggs enriquecem ainda mais o lore do jogo, então vale muito a pena passar um pouco a mais de raiva para encontrá-los.


O lançamento do jogo foi em 2017 e era somente para PC, mas recentemente ele foi relançado sob o nome de "Doki Doki Literature Club Plus" e como eu mencionei anteriormente agora ele está disponível em outras plataformas (PS5, PS4, Xbox One, Xbox Series X/S e Nintendo Switch).

A nova versão foi totalmente repaginada (os gráficos foram atualizados para HD) e novos conteúdos e maneiras de acessar certas partes do jogo foram acrescentados, mas não se preocupe a história em si não foi modificada. Dentre esses novos conteúdos estão várias coisas para serem desbloqueadas ao passar do jogo, como: artes da concepção do jogo, wallpapers, músicas da trilha sonora (para ouvir quando quiser) e novas "side stories" que nada mais são do que pequenas histórias (datadas antes dos eventos do jogo principal) que exploram mais os relacionamentos entre as integrantes do grupo e fazem você ficar ainda mais apegado as personagens. 

Com essa nova versão fiquei pensando se valia a pena pagar por algo que eu já poderia ter de graça na Steam e a resposta é: depende. Se você já jogou Doki Doki e se tornou fã do game, eu diria vai com tudo e adquira a versão plus que você vai adorar (principalmente quando completar 100% do jogo), mas se você acabou de conhecer o jogo, escolha a versão de PC e experiencie Doki Doki na sua essência ^^.

Doki Doki Literature Club é um jogo de horror brilhante, que deturpa estereótipos e ensina o jogador a não se deixar levar pela aparência fofa das personagens, o ambiente cor de rosa e a música alegre do jogo, pois participar de um club de literatura pode causar sérios danos a sua sanidade.

Tag | Tag dos 50%

2020 foi um ano tão complicado que tudo que a gente queria era que 2021 chegasse logo, mas aí num piscar de olhos, eu olhei pro calendário e já era final de Junho! Porém minha surpresa maior foi quando percebi que já tinha alcançado (e muito) minha meta de livros lidos no Goodreads e então resolvi fazer pela primeira vez a famosa tag dos 50% e dividir com vocês como está indo esse ano até agora, quais foram os altos e baixos e o que espero para o resto de 2021. 


1. O melhor livro que você leu até agora, em 2021.

Essa pergunta com certeza é a mais difícil de responder e demorei quase 2 dias pra me decidir qual título colocar, mas depois de muita discussão interna  O Casamento da Princesa levou a coroa. O último volume da série "O diário da princesa" se passa cinco anos após o volume 10 e como diz o título tem um certo casamento real envolvido (meu ship sobreviveu ao ensino médio!!!) e era tudo o que eu precisava no período em que o li, era leve, divertido, me arrancou grandes garalhadas e foi um final digno para a série. 



2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2021.

Esse ano foi O ano em que decidi terminar as várias séries/trilogias que eu tenho na estante, e definitivamente a melhor continuação foi Uma Conjuração de Luz. O último volume da trilogia "Tons de magia" é simplesmente perfeito em continuar a história do segundo livro, fechar todas as pontas, me fez sofrer por personagem e ainda me fazer surtar com o capítulo extra que tem na edição de colecionador. 



3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.

A primeira resposta que me veio a mente com essa pergunta foi: TODOS 😁, mas pensando melhor, Corrente de Ouro é o que eu mais preciso ler já que a Cassandra não para de lançar livros e eu não aguento mais ter que evitar spoilers no twitter. Só que pra isso eu tenho que reler  os outros 64488 livros, primeiro pq não lembro de quase nada e também porque o pouco que eu lembro é o que o vi na série e todos sabemos o quanto a série saiu dos eixos. ^^



4. O livro mais aguardado do segundo semestre.

Em 2013 eu descobri o canal do Epic Reads (selo YA da HaperCollins) e assistia religiosamente os videos do "tea time" apresentados pela Margot e pela Aubrey. De lá pra cá elas sairam da editora, mas continuei acompanhando o trabalho delas e agora a Margot virou escritora e Fresh é seu o seu livro de estreia. Esse é um reconto de Emma e conta a história de Elliot uma caloura na faculdade, percebendo que a vida não é o que ela imaginava, mas o que me deixa mais animada sobre essa história é saber que o estilo da Margot combina 100% com a história de Emma e que nessa história a personagem sabe que está num livro e quebra da 4ª parede!!



5. O livro que mais te decepcionou esse ano.

Há um tempo fiz um post falando que queria fazer algumas releituras e entre elas estavam os livros do John Green. Já fiz a releitura de dois livros Cidades de Papel e Teorema Katherine e cheguei a conclusão que infelizmente os livros não servem mais pra mim. Eu não me senti conectada com nenhum personagem e com nenhum dos dilemas por qual eles passavam. Ainda faltam mais três livros para reler e espero que pelo menos um eu consiga gostar, já que esse dois livros vão encontrar um novo lar logo, logo.



6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.

Tudo o que eu sabia sobre A Menina Que Tinha Dons era que existia um filme sobre e que era uma história de zumbis, porém conforme fui lendo o livro me surpreendi com o fato de que a história vai além disso, e trata de temas como  ética e preconceito, mostrando as várias  camadas que compõem cada personagens, que eles não são preto e branco, mas sim espectros de cinza. Sem contar no final que foi totalmente inesperadado, mas que mesmo assim fez muito sentido na história. 



7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente).

Infelizmente essa pergunta vai ficar sem resposta, pois todos os autores lidos esse ano eu já conhecia de trabalhos anteriores

 


8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.

Ler algo d'o diário da princesa e não citar Michael Moscovitz é muita mancada. O personagem já era lindo, fofo e inteligente e saber que anos depois ele ainda continua igual, meu coração não aguenta! A Mia é muito sortuda por ter um Michael na sua vida.





9. Seu personagem favorito mais recente.

Alucard, Alucard, Alucard!!  Desde a primeira cena dele em Um Encontro de Sombras eu já sabia que ele ia se tornar um favorito. A personalidade sagaz dele, o jeito que ele a Lila parecem se entender sem precisar falar, toda a história da familia dele, o jeito que ele veê o mundo... são tantas coisas que quando terminei a trilogia ele foi o personagem que eu mais senti falta.




10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.

Raramente eu choro enquanto leio, então em vez disso vou nomear um livro que me deixou com um gosto bem amargo e que foi difícil de digerir. Em Boa Noite, Alina vai para a faculdade cursar tecnologia e se depara com o mundo machista que habita não apenas a sala de aula, mas também a faculdade e bem por ser uma mulher no mundo da tecnologia, vamos dizer que sei bem o que ela passa e não, não é legal. 




11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.

Reler Edgame foi tudo pra mim esse ano, pois além de relembrar essa história que explodiu minha cabeça a uns anos atrás (seja por conta da narrativa ou pelos puzzles) revisitei também o ARG, revendo os vídeos, lendo as teorias (e vendo as que eu acertei e as que eu passei longe), como aquilo tudo se encaixava na história e relembrando os amigos que eu fiz. Por mais que a trilogia não tenha um final satisfatório, sempre vou lembrar com alegria sobre tudo o que eu passei com ela :)



12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2021.

Já esse ano os cinemas não foram uma opção, vou falar da perfeição que está sendo a série His Dark Materials que é baseada na série de livros Fronteiras do Universo. A série está conseguindo com maestria trazer os temas centrais da história aos tempos de hoje, adicionar conteúdos que enriquecem a narrativa, com ótimos atores e sets de tirar o folego. Enfim só elogios para essa série. 💗



13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo). 

Com toda certeza é a resenha de Edgame - Rules of the Game, pelo simples fato que finalmente, depois de ANOS, eu consegui terminar essa trilogia!!! Então escrever essa resenha marca não somente o fim de uma era (dramática, risos) mas também pude extravasar sobre como me senti com relação a esse final e quais eram as minhas expectativas para o final dessa história que tinha tudo pra ser perfeita.

 



14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

Pra mim seria todas as edições de colecionador de Tons de magia, mas se é para escolher apenas um, eu fico com Um Encontro de Sombras. Porque além da capa a citação que está estampada no livro é mais elaborada e as fanarts são as mais lindas, principalmente as do final 😍





15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Ignorando o fato de que eu preciso de terminar os livros da minha TBR infinita, minhas novas prioridades são a série de Shadow and Bone (já que depois que a série foi lançada eu adquiri uma necessidade urgente de ler tudo o que existe sobre o Grishaverse) e também Addie Larue e Vicious (pois preciso continuar na minha saga de ler tudo o que a V.E Schwab publicou)

 

Espero que tenha gostado do meu balanço de meio do ano e deixa aí nos comentários qual foi a sua melhor leitura até agora.

Resenha | Um Encontro de Sombras - V.E Schwab

Ano: 2019
páginas: 542
Editora: Tor Books
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Ano: 2017  
páginas: 560
Editora: Record
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A V.E Schwab é uma autora que mesmo tendo lendo apenas dois livros dela, já senti que ela seria uma das minhas autoras favoritas, só que mesmo acompanhando tudo o que essa mulher postava nas redes e vibrando a cada lançamento eu ainda não tinha lido nada além daqueles dois livros, porém finalmente criei vergonha na cara e decidi terminar a trilogia Tons de Magia (afinal Threads of Power vem aí) e meu Deus, como me arrependi de ter demorado tanto para lê-lo.

 

A história se passa quatro meses após o final do livro anterior e tudo parece que estar de volta ao normal, mas não completamente. Kell continua seus deveres como mensageiro entre as Londres e está sendo culpado pelos acontecimentos da noite negra, sendo duramente punido pelo rei, que lhe colocou escoltas e reduziu as idas as outras Londres, porém nada disso chega perto dos pesadelos que Kell enfrenta desde o acidente de Rhy. O príncipe por sua vez tem a árdua tarefa de organizar o Essen Tasch (uma competição entre os melhores mágicos dos reinos de Arnes, Faro e Vesk) e parece estar alegre como sempre, mas sente que existe uma escuridão a espreita só esperando pra levá-lo. E Lila, bem, agora que ela encontrou uma boa aventura irá aproveitar o máximo para descobrir sobre esse novo mundo e como ela se encaixa nele. 

 

Londres está em polvorosa com o grande evento (já que além de diversão e novos rostos, rumores dizem que um certo nobre retornará a cidade para competir) e enquanto a cidade vibra a cada partida, outra Londres volta a florescer trazendo não apenas aqueles que se pensava estarem perdidos, mas tambem uma magia que foi capaz de destruir todo um mundo.

Ao meu ver dá para dizer que o livro é dividido em duas partes: na primeira vemos as consequências dos acontecimentos da noite negra e por mais que eu concorde que essa parte foi bem parada e que nada realmente importante acontece, é nela que temos a maior parte do desenvolvimento dos personagens e da construção de mundo, então pra mim nem foi tão doloroso assim, mas já fica aqui o aviso.


Dessa vez aprendemos mais sobre a vida de Kell e como é a sua relação com a família real, principalmente com Rhy já que agora ambos dividem uma vida e gente como esse menino sofre. Eu morri de dó ao ver o quão torturado ele ficou após a possessão da Vitari e como ele acha que deve carregar o mundo nas costas pelo fato de ter dado a vida ao irmão, aliás eu achei o comportamento de "pais adotivos" do Rei e da Rainha perante ao Kell bem duvidosos e sinceramente achei muita cara de pau eles fazerem o que fizeram com ele e ainda querer que ele concorde com tudo. 

 

Para contar o outro lado da moeda temos capítulos com o ponto de vista de Rhy e essa adição foi muito mais que bem vinda. O personagem de mostra muito mais complexo do que achávamos tendo acesso apenas aos pensamentos de Kell e aqui entendemos melhor sobre a pressão que o mesmo sofre por ser o príncipe herdeiro e por se considerar culpado por tudo o que o irmão está sofrendo.  


Agora a Lila, sem sombra de dúvidas foi a personagem que teve o maior desenvolvimento nesse livro e por mais que eu não goste muito dela e de seu jeito "eu sei tudo da vida, me deixa", aqui pude compreender melhor seus comportamentos e até dar razão a ela em algumas ações. As cenas dela são as mais intrigantes e mais reveladoras, pois assim como nós leitores ela também é nova nesse mundo e está aprendendo tudo do zero.

 

Alucard por sua vez é um ótimo acréscimo ao time de protagonistas e com seu charme e jeito misterioso já se tornou um dos meus personagens favoritos. A química que ele possui com Lila é simplesmente perfeita e eu adorei as partes em que eles ficam tentando descobrir os segredos do outro. Ah não posso esquecer que eu também o amo o fato de que a Victoria não tinha percebido que que Alucard é Drácula ao contrario, o que fez vários fãs jurarem que o personagem tinha um pézinho no submundo HAHAHHA

Já a segunda parte da história com o início do Essen Tasch, a história começa a tomar forma e dizer qual direção tudo aquilo está indo. As cenas das lutas são de tirar o fôlego e muito bem descritas e me lembrou muitos dos torneios de artes marciais que assistia em animes como Dragon Ball e Yu Yu Hakusho. Também gostei muito do fato de que a competição foi usada não apenas para nos dar cenas de ação, mas sim explicar melhor sobre o governo e as alianças de Arnes, pois  uma das coisas que eu mais gosto em livros de fantasia é saber mais sobre o governo e como tudo aquilo funciona e perceber que mesmo sendo o mundo que mais prospera dentre os quatro, Arnes está longe de ser um governo em que todos estão felizes e de acordo com as decisões tomadas pelos Maresh.

 

Fiquei chateada que essa melhor explicação de mundo ocorre apenas com a Londres Vermelha e eu entendo o fato de isso acontecer, já que esse é o mundo dos protagonistas, só que desde o livro anterior eu queria saber mais sobre os outros mundos, como a comunicação entre eles começou, como foi a reação dos governantes ao descobrir sobre outros mundos, mais sobre o Londres negra.... enfim espero que no próximo isso seja respondido. Outra coisa é que eu achei o romance um pouco forçado, não é que os personagens não possuem química, mas só acho que não teve nada que fizesse esse sentimento nascer.

 

A minha edição é uma versão de colecionador que vende na Amazon e que eu estava namorando a anos! Além dessa existe também uma outra versão que vende na Barnes & Noble e que tem mais conteúdo, mas como eles não entregam no Brasil comprei a da Amazon mesmo. Ela vem com fanarts, um glossário com termos em Arnesiano e um capitulo extra que mostra como é a vida de um ganhador do Essen Tash e que nem tudo são flores.

No geral tive a impressão de que esse livro não era uma continuação do anterior, porque o tom da história destoava e muito do frenesi que foi o "Tom mais escuro de magia", dando a impressão que esta é uma história totalmente nova, com novos personagens, mas situada no mesmo universo. Porém conforme tudo foi se desenrolando fui surpreendida pelo modo como as coisas foram se amarrando e percebendo como pequenas ações do livro anterior tem um grande impacto nessa parte história. 

 

PS. É altamente recomendável que ao começar esse livro você já tenha o terceiro em mãos, porque o cliffhanger do final é agoniante!

Resenha | Endgame - Rules of the Game - James Frey e Nils Johnson-Shelton

Ano: 2016
Páginas: 327
Editora: HarperCollins
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Gostar de séries estrangeiras que não fazem tanto sucesso no Brasil é sempre uma caixinha de surpresa, afinal nunca se sabe até quando a editora vai continuar lançando os próximos volumes e pode acontecer de a história ser abandonada no meio deixando nós leitores desamparados sem saber como aquela história acaba. Isso aconteceu comigo enquanto lia a trilogia Endgame, que faltando apenas um livro pra concluir a história foi abandonada pela Intrinseca, e então 6 anos depois dessa decepção finalmente consegui atingir um nível de inglês suficiente para concluir a história que explodiu a minha cabeça. 


 [SPOILER DOS LIVROS ANTERIORES]


O Endgame chegou em sua fase final e agora que Maccabee é o detentor das duas chaves, resta apenas uma para coroá-lo como vencedor e assim garantir a salvação de toda a sua linhagem, mas depois da descoberta de Aisling de que o Endgame pode ser parado, salvando as milhares de vidas do planeta Terra, as regras do jogo mudaram e agora os jogadores devem escolher entre jogar o Endgame até o fim ou fazer o possível para pará-lo. Porém, não importa pelo o que eles estarão jogando, todos os jogadores têm uma coisa em comum: estão dispostos a morrer para cumprir sua missão.

 

Minha relação com esse último volume é cheio de sentimentos conflitantes, pois ao mesmo tempo que devorei esse livro em 5 dias e vibrava a cada página virada, no final me senti um pouco decepcionada ao ver como alguns personagens importantes foram praticamente deixados em segundo plano e como alguns mistérios que foram de grande foco nos livros anteriores foram esquecidos. 


Pra começar a redução de personagens fez com que o desenvolvimento dos mesmos ficasse mais elaborado, sendo possível conectar-se mais a eles de modo a entender melhor suas motivações para jogar ou acabar com o Endgame. Me incomodava o fato de nos livros anteriores eles focarem mais na Sarah (fato esse que eu acho que era porque ela é a jogadora americana) e eu fiquei muito feliz quando a Shari, Aisling e o Hilal começam a ter mais mais capítulos. Outro ponto positivo sobre a redução de personagens é que temos uma visão melhor de que apesar do modo de treinamento pro Endgame ser quase igual para todos as linhagens, o modo com ele é imposto a cada um dos jogadores reflete em como cada um vê o Endgame e como eles lidam com as decisões que tomaram ao logo do jogo pra chegarem onde estão. Eu particularmente adorei a trajetória da Sarah lutando para lidar com o fato de ter matado Christopher, a batalha interna da Shari para proteger a família e parar o Endgame e também entender mais sobre o porque do An ser do jeito que é.

 

 

Porém esse desenvolvimento não se estendeu aos personagens do ARG que foram introduzidos depois na narrativa. Depois do fiasco que foi a história do Ea no livro passado eu pensei que eles iriam  se redimir e melhorar a narrativa da Stela, porém mais uma vez fui iludida. A personagem foi tão mal utilizada que na minha opinião deveriam ter deixado a história dela no ARG e me poupado da raiva que passei com o que li. Outra revolta minha foi que do modo como a personagem da Nori Ko foi jogada na história e eu não conseguia pensar que a Nori Ko do livro era a mesma do ARG, simplesmente porque as personalidades não batiam! O único personagem que se salvou foi o Greg e acho que é porque ele foi o menos explorado no ARG então não tínhamos como criar expectativas sobre ele.

 

Sobre o plot, ele continua com tudo o que me fez adorar a série: cheio de cenas de ações dignas de filmes e bem mais imprevisível do que os outros, com tantos plot twists que por vezes eu tinha que ler novamente o parágrafo para ter certeza de que o que eu tinha lido tinha realmente acontecido e que aquele jogador tinha realmente morrido. Mas como eu citei anteriormente muitas coisas que foram indicadas como importantes nos livros anteriores foram deixados de fora, dando a impressão de que pra acabar a história dentro das 300 páginas, os autores tiveram que simplificar tudo, empobrecendo a mitologia da história. Tenho a impressão que essas lacunas seriam preenchidas com os conteúdos de transmídia, mas como não rolou, apenas seguiram em frente e tocaram o barco.


Com isso o final da trilogia foi algo diferente do esperado, muito rápido, sem muitas explicações, com um final aberto, não combinando em nada com toda a grandiosidade que foi a trilogia e por isso quando terminei o livro fiquei com o sentimento de que esperava algo mais, foi quase o mesmo sentimento que tive com o final de LOST: entendi, fez sentido, mas refletindo a construção da obra não me satisfez. Ah e sobre os puzzles, o do primeiro livro foi descoberto e o ganhador realmente levou o prêmio, mas infelizmente não consegui ver sobre os outros, já que nenhum dos links funcionam mais =/

 

 

Endgame começou como um projeto revolucionário, com uma narrativa de tirar o fôlego e a promessa de um novo modo de contar histórias, mas por causa de fatos desconhecidos (pelo menos pra mim) não conseguiu atingir o seu potencial, mas foi o suficiente para entregar uma boa historia mesmo tendo o projeto inicial (que incluia os livros, o ARG, um jogo mobile e 3 filmes) não sendo concluído completamente.

[Tag] The anti TBR

Já tem um tempo que vejo essa tag perambular pelo booktube e desde o primeiro vídeo assistido me descobri viciada nela, pois as pessoas tem a tendência de serem mais detalhistas ao explicar algo que não gostam e com isso foi possível que eu descobrisse livros que venha a gostar (tipo teve uma pessoa que disse que não gosta de fantasia e que por isso não gostou de tal livro e eu que adoro fantasia, automaticamente já coloquei ele na minha lista hahahaha) e também porque alguns tópicos da tag são uma ótima maneira de discutir algo sobre um livro e trazer um novo olhar sobre o mesmo.

 

Um pequeno disclaimer: Não é porque eu não gosto de um livro que ele é a pior obra da humanidade, ele só não é do meu gosto e tudo bem outras pessoas gostarem dele. Outra coisa, a vida é uma eterna caixinha de surpresas e é totalmente possível que eu acorde um dia, morda minha língua e resolva ler um dos livros dessa lista, então já digo que ela é válida pra o momento em que eu vivo agora. 😜


Dito isso vamos lá ^^

  

 1 - Um livro popular que todo mundo ama, mas você não tem interesse em lê-lo.

Essa foi a pergunta mais difícil de responder, pois geralmente eu adoro livros populares, mas depois de muito pensar e várias pesquisas no Skoob e Goodreads cheguei a conclusão de que seria After, porque o pouco que eu pesquisei sobre esse livro me mostrou o quão problemático é o romance do casal principal e eu não tô afim de passar raiva, já que pra isso é só eu ler os notícias sobre o governo

 

2 - Um livro ou autor clássico que você não tem interesse em lê-lo 

Moby dick, e nem é pelo tamanho do livro, pq o meu sonho é ler Le Mis na integra, é só porque nunca me chamou a atenção ler um livro sobre uma pessoa que quer matar uma baleia. Poxa deixa a baleia em paz e vai viver a sua vida em paz!

 

3 - Um autor que você não tem interesse em ler seus livros 

Collen Hoover. Eu não tenho nada contra ela ou os livros, é só que as sinopses nunca me chamaram atenção e todos os livros parecem ter o mesmo plot.

 

4 - Um autor problemático que você não pretende ler seus livros  

Eu estava muito afim de ler a mulher na janela do A. J. Finn, por causa do filme, mas depois que eu vi o vídeo do Paulo do livraria em casa e descobri que o autor é um mentiroso compulsivo, que disse que tinha um câncer, que sua mãe tinha morrido e que havia participado de um monte de projetos que depois vieram a ser famosos. Sério gente, quanto mais eu pesquisava sobre ele, mas coisas bizarras apareciam e por isso ele vai ficar longe da minha estante.

 

5 - Um autor que você já leu alguns livros e decidiu que não é pra você 

Eu tenho um problema que quando uma adaptação de livro para o cinema/TV está para lançar eu tenho, porque tenho que ler o livro primeiro. Então antes de ver o Diário de Bridget Jones eu resolvi ler os livros da Helen Fielding e olha, foi uma decepção tão grande que eu ainda não vi os filmes (e olha que o filme tem o Colin Firth como Darcy). Eu sei que o livro foi escrito nos anos 90 e que por isso era comum mostrar mulheres que eram fixadas em emagrecer e casar, só que por mais que eu tentasse ter isso em mente, não consegui passar.

 

6 - Um gênero que você não tem interesse OU um gênero que você tentou curtir, mas não rolou. 

Eu não sei o que acontece comigo, mas eu tenho um bloqueio enorme com poemas. Não consigo ler no tempo certo e não consigo entender o que o autor que dizer com o texto, por mais que eu tente (e olha que foram muitas vezes) simplesmente não vai.

 

7 - Um livro que você comprou, mas que não pretende ler (pode ser um livro que você já se desfez ou até mesmo um livro que você pegou emprestado na biblioteca ou com um amigo e devolveu sem lê-lo)

Desculpa amantes de Paulo Coelho, mas esse lugar é d'O Alquimista. Eu peguei ele com um amigo que estava de mudança e doando alguns livros e a princípio eu realmente queria ler ele, pois nunca tinha lido nada do autor, só que conforme os anos se passaram, outros livros se tornaram mais apelativos e  a vontade simplesmente sumiu e acabei doando ele.

 

8 - Uma série de livros que você não tem interesse de lê-la OU uma que você começou e não pretende terminar 

Esse posto definitivamente vai ficar com Gossip girl. Peguei os livros para ler quando a terceira temporada da série estava no ar e foi um choque quando eu vi que os livros eram BEM diferentes da adaptação de TV. Não sei o que me desagradou mais, se foi a escrita da autora, os personagens serem BEM mais mimados do que os da série ou se foi a simplicidade do plot, só sei que consegui ler até o quinto volume e depois decidi que ia ficar só com a série mesmo.

 

9 - Um lançamento recente (ou que será lançado em breve) que você não está interessado em lê-lo.

Pra essa pergunta eu tive que ir pesquisar os lançamentos, porque eu tô com tanto livro parado para ler que parei de ver lançamentos porque senão minha TBR nunca iria abaixar. Mas o escolhido foi o novo livro do Soman Chainani da série escola do bem e do mal "O cristal do tempo", pelo simples fato de que eu não sei nada sobre a série e o autor, a não ser que ele é mega amigo da Victoria Aveyard e que vai rolar um crossover entre as histórias dele e da Rainha Vermelha 


E aí o que acham das minhas respostas? Concondam ou discordam?

Web série | Autodale

 


Há um tempo atrás uma miniatura de uma animação em preto e branco, com um personagem usando uma mascara sorridente um pouco assustadora e com uma etiqueta na testa escrita "feio" apareceu na minha home do Youtube. O nome do vídeo em questão era "Being Pretty" | Dystopian Animated Short Film (Sendo bonito | Curta-metragem de animação distópica, tradução livre) e através dele fui apresentada ao mundo de Autodale, uma cidade automatizada onde todos os cidadãos são perfeitos em suas vidas perfeitas, porém conforme vamos adentrando os perímetros da cidade e entendendo seu funcionamento percebemos que a perfeição tem um preço muito alto.


Nesse mundo ambientado numa mistura de EUA dos anos 50 e cidade industrial, espera-se que todos sejam perfeitos/bonitos e por isso os habitantes de Autodale agem todos da mesma maneira: o pai sendo o provedor da casa, a mãe sendo a perfeita cuidadora do lar e as crianças almejando serem bonitas iguais os adultos para então terem suas próprias famílias e continuarem o ciclo.
 
A cidade é controlada por um ser meio máquina, meio humano chamado de "matriarca" que vive escondida de todos na torre central da cidade e que comanda os robôs que são encarregados da segurança da cidade. Manter tudo bonito é imperativo para que a cidade continue funcionando e mantendo os cidadãos protegidos do que há fora das muralhas da cidades, mas qualquer comportamento que desvie do padrão é considerado feio o que significa que esse indivíduo não serve para contribuir com a cidade. Ser feio significa a morte, tentar fugir significa a morte. 

 


   "Olá, cidadãos da Autodale! Vocês são bonitos. Seus vizinhos, amigos e familiares também são bonitos. Mas, infelizmente, nem todos são bonitos. Alguns são feios ... Nós, aqui da Autodale, não queremos "feios".


Cada episódio é centrado em um personagem diferente e vai nos explicando como é a vida em Autodale, como as pessoas se comportam, como a cidade funciona e porque todos tem que ser bonitos. Ao mesmo que é interessante descobrir como Autodale foi criada, é muito assustador ver como essa sociedade se tornou tão passiva e como a lavagem cerebral que foi feita nos habitantes faz com que eles não consigam ver tudo o que há de errado, mesmo quando as situações se apresentam bem explícitas diante deles. Esse último fato me fez pensar muito no que estamos vivendo hoje em dia e criar um paralelo com o que estamos vivendo hoje em dia, com as várias pessoas sendo controladas por meio de mentiras sendo contadas através das redes sociais e praticando linchamentos virtuais a qualquer outro que pense diferente.

A série criada por David James Armsby vem sendo lançada desde 2017 no formato de curtas, porém como tudo é feito pelo Armsby (história, design, modelagem em 3D e direção) a periodicidade dos episódios é de geralmente dois episódios por ano. Não, você não leu errado são DOIS episódios de cerca de OITO minutos cada POR ANO, mas meio que pra compensar a grande espera pelos episódios, são lançados também vídeos de todo o processo criativo e do making of dos curtas e a partir deles é possível tirar ainda mais conteúdo sobre esse mundo.

 


Um outro ponto bem legal é a comunidade que foi criada em volta da história. Os comentários dos vídeos são bem movimentados, cheios discussão sobre o lore, teorias sobre os próximos capítulos, referencias a outros materiais, ou seja essa sou eu levando oito minutos para ver o curta e mais trinta para ler os comentários e refletir sobre o as discussões😅

Enfim, eu estou bem curiosa sobre onde tudo isso vai levar, sobre descobrir mais sobre Autodale, mais sobre o mundo fora da cidade, sobre quando tudo começou, de onde veio a matriarca e espero que que esse post faça que vocês deêm uma chance para o distorcido mundo de Autodale

 

 PS. Apesar de ser toda no Youtube, os curtas possuem legendas em português

 

Curtas de Autodale

 

Making Of dos curtas


Releitura, uma meta para 2021

Ano passado tivemos o lançamento de novos livros de séries que marcaram minha vida como leitora, Jogos Vorazes e Crepúsculo, e como eu não lembrava muitas coisa sobre as histórias (apenas o plot geral e algumas cenas dos filmes) resolvi reler as duas séries como preparação e para aproveitar o máximo aqueles mundo que estavam voltando para mim. As releituras fizeram com que eu relembrasse não apenas a história, mas como também entendesse melhor os personagens, suas personalidades e como isso refletia na trama do livro além de enxergar mais significado no plot (no caso de Jogos Vorazes construir um paralelo com o mundo que estamos vivendo). 

 

Sei que com tanto lançamento, reler algo soa como tempo perdido, afinal por que reler algo que já se conhece em vez de ler algo novo e descobrir uma nova paixão? Mas então comecei a refletir que uma história, mesmo que já conhecida, nunca é a mesma quando a relemos, porque nós não somos os mesmas pessoas de quando lemos aquele livro pela primeira vez, envelhecemos, adquirindo novas experiências, conhecemos novas pessoas, novos lugares e tudo isso impacta sob como interpretamos algo.


Com isso resolvi que em 2021 além de ler os livros da minha TBR que não termina nunca (e que já até desisti de terminar ela algum dia😂) vou reler algumas das séries e standalones que habitam minha estante e além de relembrar sobre o mundo que me cativou (afinal, sou parente da Dory) ver o que de novo estas histórias podem me trazer. 

 

Aqui em baixo está a "pequena" lista de coisas que pretendo reler e sim, eu estou ciente que algumas séries que eu escolhi reler tem muitos livros (Oi Cassandra 👋), mas não custa tentar, não é mesmo? 

 

  • Endgame
  • Percy Jackson
  • Todos da Cassandra Clare
  • Filhos do Eden
  • S.
  • Todos os livros do John Green
  • Desventuras em série
  • As Cronicas de Nárnia 

 

E vocês o que acham de reler livros? Vocês tem esse costume? Deixa aí nos comentários.

Resenha | A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes - Suzanne Collins

Ano: 2020
Páginas: 528
Editora: Scholastic Press
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Páginas: 576
Editora: Rocco
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Quando a Suzanne Collins anunciou que iria lançar mais um livro sobre o mundo de Jogos Vorazes, tenho certeza que todos os fãs da série ficaram em êxtase sobre possuírem mais uma fonte sobre o universo de Panem e o quanto ele poderia enriquecer ainda mais as discussões que rodeiam a série. Também tenho certeza que foi um balde de água fria descobrir alguns meses depois que essa história seria contada pelo ponto de vista do presidente Snow, afinal quem gostaria de uma história contada pelo ditador de Panem? Porém após ler o livro pude perceber o quanto esse ponto de vista foi necessário para que pudéssemos entender melhor não apenas sobre o personagem do Snow, mas como tudo o que ele viveu refletiu no que conhecemos dos Jogos Vorazes do tempo de Katniss.

 

O livro se passa 10 anos após o fim da guerra entre a capital e os distritos, ou seja, a décima edição dos Jogos Vorazes está para começar e nesse ano uma grande mudança com relação aos jogos está para se feita e fazer como que o "evento" torne-se mais popular entre as pessoas: a implementação do sistema de mentores e para esse cargo são escolhidos os melhores estudantes da escola de elite da Capital e entre eles está Coriolanus Snow.

 

A família Snow é uma das mais importantes da Capital, mas que encontra-se em decadência já que todos os seus investimentos estavam no Distrito 13 e Coriolanus vê nos Jogos uma maneira de ser bem sucedido e garantir novamente o prestigio ao nome da família, entretanto ele vê esse sonho destruído quando descobre que vai mentorar a garota do pior distrito do país, o Distrito 12.

Como a própria Suzanne disse, o tema central dessa história é sobre a natureza humana, quem somos e o que percebemos ser necessário para nossa sobrevivência e para isso ela nos mostra uma trama muito mais política (e que eu particularmente adoro) e deixa os jogos em si em segundo plano. Aqui vemos como os dias escuros fizeram com que a população da Capital passasse a ter um rancor enorme dos distritos e como isso era refletido no jogos, nos fazendo entender como eles são importantes para manter o poder nas mãos da capital e principalmente o quão importante para a manutenção desse poder  conseguir um meio de passar esse sentimento adiante para as próximas gerações. Com isso vamos entendendo como a população foi sendo manipulada para assistir os Jogos mesmo sendo tão inumanos e horríveis  e como o evento passou de crianças numa arena de shows lutando até morte, para todo o evento glamorizado que irá se tornar anos mais tarde.

 

Uma das coisas que eu fiquei mais receosa quando descobri que o Snow iria ser o "herói" da história, era como ele seria retratado. Será que ele seria mais humanizado e que nós como leitores sabendo tudo o que ele irá fazer no futuro iríamos simpatizar com ele e acabar o perdoando por tudo o que irá fazer com os distritos no futuro? E a resposta foi um satisfatório não, já que desde o inicio vemos que o Snow não se importa com nada além dele e com o nome da família então prepare-se para uma narrativa que é feita justamente para que o leitor realmente não goste do personagem principal.

 

O personagem se acha merecedor de tudo o que há de melhor, afinal sua família é uma das mais antigas do país, e quando algo de ruim ou que pode arruinar sua reputação acontece, como por exemplo receber a garota do 12 para mentorar, ele se acha mega injustiçado. O que eu achei de mais horrível nesse personagem (e disso isso não de um jeito ruim) e que é algo que mostra como o Snow como presidente transformou a Capital e Jogos no que vemos na trilogia original é que a autora o coloca em várias situações em que ele poderia ser uma pessoa boa, com diálogos em que outros personagens apresentam argumentos válidos mostrando porque a situação X é ruim e o Snow cria um super raciocínio para justificar as ações que ele vai fazer para salvar a pele

Sejanus é um desses personagens, ele é um dos principais contrapontos para tudo o que o Snow acredita que é certo e através dos diálogos deles nós leitores somos constantemente lembrados do quanto a Capital é ruim e que nunca estará saciada com o poder que tem. Além disso um outro ponto que chamou muito minha atenção, foi sobre como as pessoas que eram dos distritos e acenderam socialmente por causa da guerra são vistas por essa sociedade. Eu achei muito muito bizarro ver que por mais que estejam numa situação decadente e algumas famílias (como a do Snow) vivendo de aparências, elas dizem que a cidade está sendo contaminada com pessoas de baixa escalão e que essas pessoas não podem ter acesso a mesma coisa que eles.😒

 

Outra personagem que merece destaque é a maravilhosa Lucy Gray que já mostra ao que veio desde a primeira cena em que aparece. O jeito como ela se porta diante das situações, as coisas que ela fala, as músicas que ela canta, tudo nessa personagem é uma certeza de que ela não vai mudar apenas os Jogos Vorazes, mas toda a Capital. Queria poder falar mais o tanto do impacto que ela causa na história, mas aí seriam spoilers enormes e vale a pena ir descobrindo tudo aos poucos, ir saboreando cada descoberta.


Falando agora sobre easter eggs, para mim ler essa história foi berro atrás de berro, pois como tinha relido toda a trilogia original tudo estava bem fresco na minha mente. Com isso pude ver em como esse livro conecta-se com os outros, fazendo com que eu criasse milhares de teorias sobre a ancestralidade da Katniss e até com uma sensação de que a raiva de que o Snow sente por ela vai muito mais do que o desafio a Capital com a amoras, mas sim uma coisa muito mais pessoal e intima. Então recomendo muito que vocês vejam nem que sejam os filmes para aproveitarem ainda mais o livro.

 

Essa é uma história que com certeza não vai agradar a todos, por causa de seu desenvolvimento mais lento e quase sem cenas de ação, mas ainda sim é uma grande adição ao mitologia da série. Com ela entendemos mais não apenas sobre o ditador do presidente Snow, mas também aprendemos sobre como todas as outras pessoas que governam Panem conseguiram manter o poder através de um programa onde crianças vindas de lugares com condições desumanas devem matar umas as outras.


1ª Bienal Virtual do Livro de SP


Com uma nova data e um novo local a 26ª edição da Bienal internacional de São Paulo iria acontecer esse ano, mas como a maioria dos eventos programados para 2020, ela acabou sendo cancelada e se tudo der certo só teremos novamente o vislumbre de pessoas esperando horas por um autógrafo, correndo no meio do pavilhão porque descobriu que o estande X está fazendo promoção relâmpago ou gritando nos corredores porque encontraram os amigos, em 2022. Porém não vamos ficar totalmente sem o evento literário já que foi anunciada a Bienal Virtual.


O evento que ocorrerá entre os dias 7 e 13 de Dezembro será totalmente online e contará com diversos painéis além é claro de um espaço para compra de livros. Infelizmente ainda não se sabe muito sobre como vai funcionar o evento ou sobre a programação (se vão ser lives ou painéis gravados, se vai ser no youtube ou em uma plataforma própria, como vai ser a parte da venda dos livros), mas até a data desse post o instagram da Bienal já liberou o conteúdo de alguns painéis:


  • 08/12 ás 11h - "Espiritualidade e esperança em tempos de pandemia" com Daniel Martins de Barros, Padre Carlos Alberto Contieri, Petria Chaves
  • 09/12 ás 11h - "Os Signos na Literatura" com Daniel Bovolento, Pam Gonçalves, Solaine Chioro, Titi Vidal, Vítor diCastro
  • 09/12 ás 15h - “Como alcançar seus objetivos” com Veronica Oliveira, Nath Finanças, Fernando Rocha, Fernando Martins
  • 09/12 ás 17h - "Agatha Christie" com Raphael Montes, Bem Rodrigues, Tito Prates, @lardaagatha
  • 12/12 ás 15h30 - “Ensinar e aprender na internet” com Gavin Roy, Tatiany Leite, Sueli Conte, Rafael Procopio
  • 13/12 ás 11h - "Livros infantis" com Cristino Wapichana, Rodrigo Franca, Kiusam de Oliveira
  • 13/12 ás 17h - "Mistério, terror e a decadência humana" com Aline Valek, Barbara Moraes, Felipe Castilho


Agora vem a melhor parte de todas: o evento vai ser gratuito! Então se você assim como eu ficou curioso sobre como vai ser o evento e deseja participar é só fazer o seu cadastro no site da bienal e contar os dias :)


PS. A responsável pela programação da Bienal Virtual é a Diana Passy, uma das co-criadoras da FLIPOP, ou seja esperem que vai vir muita coisa boa!