Resenha | Temporada de Acidentes - Moïra Fowley-Doyle

Ano: 2016
Páginas: 256
Editora: Intrínseca
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Chegamos ao fim de Setembro e por mais que o Halloween não seja uma data comemorada oficialmente no Brasil, sempre vejo que em Outubro as pessoas começam a montar TBRs temáticas de terror/suspense. Esse ano achei legal recomendar um livro para todos que assim como eu, não conseguem ler nada de terror (sim, sou medrosa), mas ainda assim querem ler algo que contenha uma aura de mistério, vai adorar descobrir sobre a temporada de acidentes que acomete a família de Cara ano após ano.


Toda vez em Outubro tudo se repete, Cara e sua família envolvem todos os móveis da casa em plástico bolha, escondem objetos afiados, deixam de usar o fogão, estocam itens de primeiros socorros e utilizam 3 ou mais camadas de roupas, afinal a temporada de acidentes começou e imprevisível como só ela é, pode te deixar tanto com apenas algumas cicatrizes, como também pode também te deixar sem uma perna ou sem a sua vida.


O pai e o tio de Cara morreram durante uma das temporadas de acidentes, então sua família  é composta pela mãe (Melanie), pela irmã (Alice) e pelo irmão de criação delas, filho do ex-marido de Melanie (Sam). Durante a temporada cada membro da família lida com ela de um jeito: Alice não acredita na temporada, embora sempre seja afetada, Cara é sempre é cuidadosa, Sam que não era afetado, mas começou a ser recentemente e por fim Melanie é a que sofre mais durante a temporada, não fisicamente mais emocionalmente.


Esse ano a temporada vai ser diferente, ela promete ser umas das piores que a família já enfrentou e tudo começa quando Cara percebe e começa a investigar o porquê de uma antiga amiga estar em todas as suas fotos, tipo TODAS mesmo, uma mecha de cabelo, um tornozelo, um braço, Elsie parece não perder uma oportunidade, porém o mais estranho é que apenas Cara, seus irmãos e sua melhor amiga Bea parecem se lembrar de que Elsie existe.



A leitura desse livro foi uma surpresa muito agradável pra mim, pois essa história é muito mais do que aparenta ser e eu que comecei a lê-la para saber mais sobre essa estranha temporada de acidentes, acabei maravilhada por uma história cheia de camadas, sendo uma mistura de sobrenatural, suspense e drama familiar. 


Cara é uma garota que vê o mundo com outros olhos e em sua versão de mundo seus familiares e amigos são sereias, fantasmas e fadas, e justamente por possuir esse olhar mais sensível ela é capaz de atravessar a fachada que as pessoas projetam sobre si e poder vê-las por quem realmente são e quando olhamos o íntimo de cada personagens vemos o quanto amaldiçoados eles são, mas não por maldições do tipo que são lançadas por uma bruxa(o), mas sim por verdades escondidas e pequenas omissões que juntas corroem o interior deixando o indivíduo miserável. 


O modo com o qual a autora usou os elementos mágicos para nos mostrar mais sobre as pessoas, sobre como os traumas do passado as impactam e como a mente é capaz de criar mecanismos de defesa para que possamos viver a vida foi tão bem feito, que até eu que não sou muito fã de realismo mágico, me vi ávida para descobrir como a história iria se desenrolar e como tudo aquilo se conectaria com o mundo real.


Toda essa aura mágica faz aparecer que estamos dentro de um sonho, daquele tipo onde o sentimento de alerta está sempre no alto e que sentimos que a qualquer momento coisas terríveis irão acontecer e não podemos fazer nada a não ser esperar e torcer para que nada aconteça. Apesar dessa tensão a leitura é bem fluida e se você não tomar cuidado vai ter lido o livro todo em um só dia.


Embora seja um livro pequeno, Temporada de Acidentes entrega uma história bem completa e bem escrita. A atmosfera alarmista e melancólica forma o cenário perfeito para o leitor entenda as mágoas e incertezas que rondam a família de Cara e ao final entender que todo o segredo é apenas um acidente esperando para acontecer.


 

PS. Só depois que já tinha lido esse livro, vi que ele é indicado para quem gostou de mentirosos, livro esse que foi um dos meus favoritos em 2015, então meio que já tava na cara que eu gostar dele ^^

Resenha | Sol da Meia-Noite - Stephenie Meyer

Ano: 2020
Páginas: 662
Editora: Little, Brown 
Books for Young Readers
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Páginas:727
Editora: Intrínseca
O ano era 2009, Amanhecer tinha sido publicado e a notícia do vazamento do livro que contaria os eventos do primeiro volume sob o ponto de vista de Edward estavam por toda a parte. Os fãs estavam super animados com essa novidade, até porque o quão maravilhoso deve ser ler os personagens se apaixonando pelos olhos do Edward? Porém a autora ficou decepcionada com o acontecido e decidiu cancelar o projeto. Agora mais de 10 anos depois do final da saga crepúsculo, do incidente dos capítulos vazados e da Stephanie nos matar de apreensão com a contagem regressiva em seu site, sol da meia-noite finalmente foi publicado e para nós fãs, esse livro é muito mais do que um sonho se tornando realidade ele é o nosso sol durante essa meia-noite escura e aterrorizante que está sendo 2020.

Primeiramente não vá ler esse livro pensando que vai ter conteúdo dos outros livros só porque ele tem mais de 650 páginas, porque não tem. Toda a história que se passa nele é a mesma do primeiro livro, mas pelo fato do Edward ter uma "vivência" de mais de 100 anos ele racionaliza muito as coisas (na maioria das vezes até de mais) o que leva a um livro desse tamanho. Então em sol da meia-noite vemos como o Edward vai se apaixonando pela Bella, deixando o lado mais automático de vampiro de lado e (re)descobrindo seu lado impulsivo, mais humano.

Ter acesso aos pensamentos dele de começo é algo não muito prazeiroso, pois sendo bem sincera ele é muito chato, sempre achando os humanos seres previsíveis e por isso se achando superior a todos, mas conforme sua curiosidade pela Bella vai ficando mais intensa (primeiro pelo fato de não poder ler a mente dela e mais tarde na descoberta de seu amor) ele começa a ficar mais humano e mais gostável. Aliás pelo ponto de vista da Bella já podiamos ter uma noção de que do lado dele esse amor não aconteceu de uma hora para outra e ver essa mudança acontecendo, dele ir se apaixonando conforme a conhece e ficando cada vez mais maravilhado com o que ela é, já valeu toda essa longa espera (o que me faz pensar que se ele pudesse ler a mente dela ele nunca se apaixonaria por ela, já que a Bella possui pensamentos tão inocente quanto a Angela).


Através dos olhos do Edward, vemos que a Bella possui muitas qualidades e é bem mais interessante do que nos é mostrado em crepúsculo, isso porque a Bella se diminui muito, logo ela resume os dialogos entre eles em sua versão por justamente não se achar interessante, mas como Edward está 100% obcecado em descobrir tudo sobre ela, a gente vai sabendo muito mais sobre as suas preferências, o que me deu um insight de que até que seriamos boas amigas.

Aliás o próprio Edward está longe de ser a criatura perfeita e sem defeitos que a Bella acha que ele é. Aqui descobrimos que ele é MUITO inseguro, (ver ele com ciúmes do Mike Newton foi impagável) e que também estava super ciente de que estava sendo um stalker, rude e agressivo com a Bella. Achei muito bizarro o modo que ele justifica esse comportamento dele com a Bella dizendo que faz tudo isso porque sentia que se não o fizesse, um METEORO poderia cair na cabeça nela, sendo que praticamente todo o livro ele fica questionando a sanidade da Bella por ser tão fixada nele e não possuir nenhum sentimento de autopreservação mesmo ele dizendo que é um vampiro. Tipo, moço você tá ciente de que você tá indo ver ela dormir toda a noite? Enfim ¯\_(ツ)_/¯

Além deles, temos uma visão bem melhor de vários outros personagens, pois estar na cabeça do Edward é o mesmo que estar na cabeça de várias outras pessoas, já que ele não consegue na maioria da vezes bloquear o pensamento alheio. Ver a mente dos humanos é muito interessante, pois entendemos melhor como eles reagem aos vampiros, (principalmente quando se trata do Mike Newton), mas saber ainda mais sobre a família Cullen foi a cereja do bolo pra mim. Ter ciência de como os poderes funcionam, como é a personalidade de cada um (Jasper e Emmet, um beijo pra vocês) e como é a dinâmica da família com certeza é algo que eu estava esperando muito tempo para ver e que é muito bem entregue.

Reviver as cenas iconicas como a primeira aula de biologia, o quase atropelamento da Bella, a campina, o jogo de baseball e da caçada nos dá uma perspectiva completamente diferente das que tínhamos antes e finalmente entendemos porque elas carregam um clima de tensão e como cada uma contribui para o desenvolvimento de um Edward mais humano e mais apaixonado pela Bella. Eu particularmente ri horrores na aula biologia e fiquei surpresa em como a parte da caçada do James foi bem tensa do que é descrita em crepúsculo.

Os comentários a seguir podem ser considerados spoilers, então se você já leu ou não se importa é só selecionar o texto. Ainda falando sobre alguns acontecimentos do livro, foi muito fofo entender como o Edward teve um papel fundamental no romance entre Ben e Angela, o quão interessante é a mente do Charlie e da Renné (o que me faz pensar que a Renesmee puxou muito a avó) e principalmente ver como foi a mudança de volta dos Cullen para Forks e como eles contataram os Quileutes..



Como eu reli todos os livros da saga antes de ler sol da meia-noite, pude perceber que a escrita da Stephenie Meyer melhorou muito e isso fica evidente nos detalhes que ela nos fornece nos diálogos entre a Bella e Edward (adicionando informações que "justificam" falas de mais de 10 anos) e no modo em como o personagem vai evoluindo conforme as situações vão se apresentando. Meus parabéns também pela ótima sacada que foi a capa do livro, que eu sei que não é uma das melhores imagens do mundo e que pode causar um desconforto, mas ela representa perfeitamente toda a batalha interna que se passa na mente do Edward em 99% de toda a saga.

Agora uma pequena dica pra vocês que leem em inglês: ouçam o audiobook enquanto leem o livro,  eu fiz esse experiemento e eu tô indignada de como eu não tinha feito isso antes. O audiobook tá tão bem feito, o narrador é tão bom ator que por vezes eu tinha a impressão de que 1) era o próprio Edward que tava lendo as memórias dele para mim e 2) eu estava na cena com os personagens de tão bom que era a entonação/modo de falar do narrador. Então faça você também esse teste e veja como a imersão na história vai ficar MUITO maior.

Depois disso tudo, voltar a Forks através de sol da meia-noite foi com certeza maravilhoso e todo o hype de mais de 10 anos foi muito bem correspondido. O livro é tudo o que os fãs sempre esperavam que ele fosse e muito mais, pois consegue nos fazer reviver todo aquele clima de romance e mistério que tornou a saga um sucesso e ainda adicionar coisas que enrriqueceram ainda mais a mitologia da saga. Eu gostaria muito que a Stephanie fizesse o mesmo com os outros volumes, mas infelizmente vamos ter que nos contentar com apenas esse e cair no mundo das fanfics mais uma vez para suprir a nossa sede :)

Eventos | FLIPOP 2020: On-line


Graças ao que está acontecendo no mundo, os principais eventos do ano tiveram que ser remodelados para um formato on-line e com isso é normal perderem um pouco de sua essencia ao irem para uma nova plataforma. Depois de particar de alguns desse fiquei com medo que o mesmo acontece com a FLIPOP, alías esse evento é um dos pouco que mora no meu coração, porém para a minha surpresa (ao não) mesmo sendo feito de forma remota os organizadores conseguiram transmitir para todo o mundo a experiência maravilhosa que é estar numa FLIPOP

Para começar vamos falar de toda a estrutura que foi montada para que o sentimento de estar numa FLIPOP fosse mantido e aqui venho dar os parabéns a equipe porque eles conseguiram isso com maestria (pelo menos da minha parte). Um evento não é um evento se não tem credencial não é mesmo? E para isso foi disponibilizado um arquivo PDF com a credencial para gente imprimir e adicionar a coleção. Para substituir o famoso letreiro foi criado um filtro no instagram, afinal você não está na FLIPOP se não tem uma foto com o letreiro ^^. Sorteios? Temos! Ao final de cada painel eram feitos sorteios de livros relacionados com os temas e também ao fim do dia. E por fim foi criada uma parceiria com a Amazon para vender os livros com desconto e alguns com brindes.

Sobre o local podemos dizer que a FLIPOP mantém a tradição de não repetir o mesmo endereço, já que esse ano graças ao meios digitais ela pode acontecer em vários lugares do Brasil e até em vários continentes. Por causa dessa flexibilidade pudemos pela primeira vez ser apresentados a escritores de todos os lugares do Brasil, conhecer seus trabalhos e ficarmos desesperados por ter descobertos mais livros para serem adicionados a nossas wishlist HAHAHAHHA. Outro ponto positivo desse novo formato é que é todos os videos ficaram salvos no canal da seguinte então agora é possivel reassistir os paineis que a gente mais gostou e reviver tudo aquilo de novo.

A maior e melhor ação criada para essa nova edição foi a parceiria que a editora seguinte fez com a bienal da quebrada, que é um projeto social que tem como objetivo democratizar o acesso a leitura e levar livros e eventos literários para as quebradas do país. Durante o evento podiam ser feitas doações e ao final a editora iria dar o mesmo valor em livros, com teto de 50 mil reais, só que antes mesmo do evento acabar a editora deu os 50 mil não importando o valor final!! Se você não pôde doar e quiser fazer ajudar o projeto, aqui está o link para se tornar um apoiador/apoiadora ou mais pra frente (quando a pandemia acabar) quiser ajudar eles doando livros ^^

Com tudo isso dito, vamos falar sobre os paineis. Mais uma vez só tenho a dizer que a curadoria da FLIPOP foi perfeita, trazendo temas relevantes e panelistas com um conhecimento enorme. Aliás nem preciso dizer que esse ano finalmente eu consegui assistir a todas as mesas, o que me fez pensar se num futuro o evento poderia considerar o fato de gravar pelo menos os paineis principais para disponibilizar na internet para ninguem perder nada.

Infelizmente eu não consigo dizer qual painel eu gostei mais, pois como eu disse todos trazem temas que deixam muito a se pensar e enrriquecem em muito o nosso jeito de ver o mundo, mas deixei aqui em baixo alguns vídeos para quem não tava sabendo do evento/ou se esqueceu dele ver e depois correr para o canal da seguinte e maratonar. Uma dica: sugiro que vocês vejam os vídeos no youtube e com a parte dos comentários "ao vivo" ligados por que quem nunca foi no evento vai ter uma ideia de como é o ambiente acolhedor e super inclusivo que é a FLIPOP



Ah e quase que eu já ia esquecendo, como esse ano não teve ecobag com brindes, a seguinte lançou um e-book que é uma compilação de cartas que os escritores dessa edição escreveram para eles mesmos quando eram adolescentes. E olha, só tenho a dizer que esse ebook é a coisa mais linda.

Bem, deu pra perceber que mesmo sendo transportada para o modo on-line, a FLIPOP conseguiu manter suas raizes, entregar um belo festival e se consolidar cada vez mais com um grande festival de literatura POP. Mas bem, agora quero saber de vocês, o que acharam dessa edição?

Série | Dark


Já fazia muito tempo que eu queria começar a assistir Dark, mas resolvi esperar até a última temporada pra mergulhar de cabeça, e então como um buraco negro que suga tudo em a sua volta, a série alemã sugou a minha vida nesse último mês, com sua trama complexa, bem estruturada e com um final que não deixou nada a desejar.

A série que teve sua primeira temporada lançada em 2019 se passa na pequena cidade alemã chamada Winder, que após uma grande calmaria torna-se palco de misteriosos desaparecimentos. Conforme as investigações vão avançando, quatro famílias são tragadas para esse mistério e além de uma teia de segredos familiares descobrem que os acontecimentos atuais possuem relação com outros desaparecimentos que ocorreram 33 anos antes.

A trama conta com mais de 72 personagens que de alguma forma estão conectados uns com os outros e durante as três temporadas vamos descobrindo junto com Jonas (um dos personagenagens mais afetados por tudo o que está acontecendo na cidade) a origem de todos os segredos e eventos que desencadearam o que Winden presenciou, está presenciando e o que presenciará. E se você achava que LOST era uma série que tinha tudo amarrado e bem explicado (pelo menos até a greve dos roteiristas) vai ter um surto com Dark ao perceber que até uma olhada para um canto da cozinha significa uma coisa.

Por ter uma base mais "pé no chão", a série explora o fator científico muito bem, sendo a melhor que já vi até agora, e ao invés de explicações complicadas, maçantes e tediosas, apresenta as viagens no tempo de maneira simples e ao mesmo tempo inteligente, me fazendo pensar que tudo isso pode ser realmente possivel bastando termos acesso a alguns materiais radiativos e muito azar ^^



A princípio eu queria ver a série mais pelo fator da ficção cientifica e toda a história de viagem no tempo com uma explicação mais "cientifica", ou seja, buracos de minhoca, teoria da relatividade geral e paradoxo de bootstrap. Porém foi a mistura com os elementos de true crime que me fizeram realmente pegar amor por tudo e maratonar ela até não conseguir parar de falar em mais nada a não ser Dark (esse post está aqui pra comprovar isso ^^). Todos os relacionamentos e as histórias por trás deles, me fizeram questionar o quanto realmente conhecemos as pessoas, suas motivações e desejos mais íntimo, se realmente sabemos o que as pessoas são capazes de fazer para salvar aqueles que amam, ou seja, Dark extrapola o da tema da ciência exata e nos mostra também a ciencia humana e como ela pode ser tão responsável pela viagem tempo quanto uma máquina ou um acidente radioativo.

Juntando todos esses elementos numa trama tão bem feita eu tenho certeza que não seja possível assistir um episódio sem pausar pelo uma vez para se perguntar: O que que está acontecendo?!?! O que eu acabei de ver?!? O QUE!?!? Então minha dica é assistir cada episódio com um caderninho do lado para ir anotando todas as conexões porque foi justamente isso que me ajudou a navegar por cada episódio sem ficar parecendo o meme da Nazaré.

Ah e uma coisa que não pode ser esquecida é o quanto a fotografia e trilha sonora são um personagem a parte nessa jornada. As tomadas da floresta, os tons em sépia e as músicas com uma pegada mais indie/eerie criam junto dos atores a atmosfera perfeita para nos mostrar o quão sombria é Winder e que essa é uma cidade onde não se deve confirar em ninguem, inclusive si mesmo.


Essa review é apenas uma gota perto do oceano que é Dark e assim guiados pela teia de Ariadne, vamos descobrindo através das temporadas como e quando tudo se conectou, já que afinal o inicio é o fim e o fim é o começo.

Eventos | Vem aí FLIPOP on-line



Com a pandemia acontecendo, vários eventos estão tranferindo seus conteúdos que ocorreriam de fora presencial para a forma on-line e é claro que com a FLIPOP não poderia ser diferente.

Esse ano o evento será totalmente on-line e será transmitido pelo canal da editora Seguinte entre os dias 9 e 12 de Julho e terá 16 paineis e sendo mais uma vez inovador, o evento utilizou-se do fato de que será on-line para pedir ao público que indicassem autores para participarem do evento, dando preferência a indicações fora do eixo Rio-SP.

Eu já falei várias vezes da FLIPOP aqui e como esse evento já entrou no meu coração por ser um lugar seguro para falar sobre literatura, onde discriminação não tem vez e que gera uma proximidade com os autores jamais vista em outros lugares. Então mesmo sendo uma edição on-line tenho certeza que toda a sensação do evento presencial estará ali e finalmente poderemos compartilhar isso pessoas de outros estados que não tem como vir para o evento.

Então não esquece que já marca na agenda, ein!

Podcasts liteŕarios

É gente parece que o ano do podcast finalmente chegou. Em 2019 o Spotify resolveu investir pesado na divulgação desse formato e agora em 2020 parece que ele se consolidou de vez o que fez a minha lista saltar de 3 inscrições para 19!! Com isso finalmente consegui tirar esse post do papel e indicar pra vocês alguns Podcasts literários (em português e inglês) para gente se divertir e descobrir mais indicações (como se essa lista já não fosse grande o bastante ^^).


Esse foi um dos primeiro podcast BR sobre literatura que eu encontrei e logo foi a amor a primeira ouvida (essa palavra existe? ^^). Criado pelas booktubers Mayra Sigwalt do All about that book e pela Bruna Miranda do canal de mesmo nome, o podcast é basicamente aquela conversa gostosa sobre livros com os amigos regada a um bom vinho. Os temas discutidos são os mais variados, existem eps que falam sobre um livro específico, mercado editorial, tags ou simplesmente conversam sobre coisas que estão acontecendo no mundo literário. Então pode começar a ouvir que a diversão é garantida.

Esse é outro podcast criado por booktubers e aqui ouvimos Ariel Bissett e Raeleen Lemay comentando sobre os livros que estão lendo, terminaram de ler e compraram no período e também respondem emails de ouvintes pedindo recomendações de livros. O que eu mais gosto desse podcast é que grande parte dos livros mencionados são aqueles que não vemos muito na mídia, seja a história, o formato ou o tipo de personagem retratados, além de ser ótimo para ter uma ideia do que as pessoas em outros países estão lendo.


Apresentado por Anna Livi e Larissa Siriani, o quarta parede começou com um podcast onde em cada episódio era dedicado a um personagem da ficção e então era discutido suas motivações, virtudes, defeitos e o que mais pode-se descobrir dele além do que está no livro e é bem interessante como ese tipo de discussão te faz ver não apenas o personagem, mas toda a história em que ele está inserido com outros olhos. Porém com o passar do tempo elas começaram a falar de outras coisas como livros, séries, dramas coreanos, filmes, ou seja, tudo o que a gente gosta então o amor também só aumentou ^^

Vocês lembram da alegria que era ler um livro de Harry Potter pela primeira vez? Nesse podcast acompanhamos Mike nessa jornada que é descobrir o maravilhoso mundo de J.K Rowling. Cada episódio é apresentado por Mike e um convidado fã da saga e juntos eles comentam sobre os capítulos lidos com um humor bem sarcástico. É muito engraçado ver alguém lendo pela a primeira vez fazer teorias, rir de plots bizarros e chorar pela morte de personagens do mesmo que nós fizemos a muito tempo atrás, então se você assim como eu é fã de Harry Potter eu mais do que recomendo esse podcast.


Costumo dizer que esse podcast é tipo a TARDIS de Doctor Who, pois ele é maior por dentro, pera aí que eu já explico. O Curta Ficção tem como apresentadores Thiago Lee,  Jana P. Bianchi a Paola Siviero e apresenta discussões sobre literatura e dicas para escritores. Só na real ele possui mais dois podcasts dentro dele (entenderam a referencia a TARDIS? XP), o EntreFicções onde cada episódio ouvimos uma história de um autor diferente e depois uma entrevista com o mesmo e o Pavio Curto que é no famoso estilo conversa de bar onde junto com a página 7, tratam de todas as tretas que envolvem  o mundo da literatura ^^. Então te garanto que pelo de 1/3 desse podcast vocês vão gostar.

Descobri esse podcast por acaso quando estava procurando mais sobre a web série The Lizzie Bennet Diaries e mais uma vez me arrependi de ter postergado tanto para descobrir o mundo de Jane Austen. Com episódios curtos de 30 minutos, Jillian e Yolanda comentam sobre a série,  sobre o livro,  fazem entrevistas com o elenco e produtores (Incluindo o Hank Green) e falam muito sobre Jane Austen é claro. Depois que a série acabou elas também comentaram sobre Emma Approved (adaptação de Emma e que em breve receberá um post aqui também) e atualmente elas comentam sobre Sanditon a série baseada no romance inacabado de Austen.

Esse é pra quem curte os livros das Crônica de Gelo e Fogo. Comandado pela Carol Moreira, Mirian (Mikannn) Castro e Flávia Gazi, o Hodor Cavalo é um podcast quinzenal onde os livros são destrinchados como um prisioneiro da família Bolton e cada episódio é dedicado a um capítulo onde é feita uma discussão aprofundada sobre os personagens, simbolismos e a trama. Então se você tem vontade de ler a série mais se assusta com o tamanho de cada livro, fazer uma leitura acompanhada da escuta do podcast pode ser uma boa, não apenas para perder o medo, mas essa também é uma boa pra quem leu o livro a muito tempo e quer ter tudo fresco na mente para quando um dia o Martin anunciar que vai lançar o sexto livro ^^

No mesmo estilo do Pemberly Podcast (aliás foi lá que eu descobri esse podcast), o Into the Twilight é basicamente sobre amigos falando sobre um assunto que amam e que aqui é o mundo da saga Crepúsculo. Alexandria Taylor é uma fã hard enquanto Cody Corrall sabe umas coisas ali e aqui e juntos conversam sobre os livros, filmes, fazem quizzes, discutem filmes que foram feitos por atores que participaram dos filmes, enfim se tem crepúsculo no meio eles vão comentar. Esse podcast é uma ótima pedida pra todo que tá surtando com a contagem regressiva que foi iniciada no site da Stefanie Meyer (Até a postagem desse texto faltavam 3 dias, mas se você está lendo esse post e a contagem já terminou fale aí nos comentários se vc se decepciou ou não com a revelação)

Espero que tenham gostado das indicações e digam aí se já conheciam alguns desses podcasts.

Resenha | A vida com Logan para ler no sofá - Flávio Soares

Ano: 2015
Páginas: 68
Editora: Jupati Books
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Em tempos como esse que estamos passando, leituras leves são mais que obrigatórias para fazer com que nós não entremos em pânico com a enxurrada de informações a que somos diariamente expostos. Por isso a resenha de hoje é sobre uma coletânea de tirinhas que eu acompanho na internet a bastante tempo, mas só recentemente pude adquirir na CCXP.

As tirinhas d'A vida com Logan começaram em 2019, quando o ilustrador Flávio Soares decidiu compartilhar semanalmente em seu blog como era o cotidiano com o seu filho Logan, portador da Sindrome de Down, quando ele percebeu que não tinha muita informação a respeito. O conteúdo fez tanto sucesso na que em 2013 foi feita uma história inédita para o formato impresso, mas só no ano seguinte que ele abriu uma campanha no catarse para transformar o conteúdo do blog em um livro físico e assim nasceu A vida com Logan para ler no sofá.

As histórias contidas no livro contam momentos diversos da família como a gravidez da Camila do Max (o caçula), brincadeiras entre as crianças e os Pets, reuniões de família, idas aos médicos e tudo contado com um estilo que lembram Calvin e Haroldo, com um humor que além de divertir, também nos trazem mensagens importantes nos fazendo pensar sobre tudo o que ainda temos a aprender não só apenas sobre a síndrome de Down, mas sobre empatia, respeito e como somos preconceituosos sem nem perceber.

Os personagens são mega carismáticos e relacionáveis. Flávio e Camila nos mostram que ser pais não é fácil, mas que sempre estão lá para tudo o que seus pequenos precisarem. Logan e Max vêem o mundo sob a maravilhosa ótica das crianças e consequentemente apresentam as histórias com os melhores diálogos (a tirinha do biscoito é a minha favorita). O cachorro Barney e o gato Mignola são os pets que e são tão hilários quanto os personagens humanos.


Ah, e além das histórias do blog a coletânea contém material inédito com o processo de criação do livro, também em formato de tirinha, e podemos ver desde como tudo foi feito desde de quando a meta do catarse foi alcançada até a confecção das recompensas.

Espero que vocês curtam essa HQ do mesmo jeito que eu, que já estou aguardando ansiosa pela próxima CCXP pra comprar o volume 2. Infelizmente o blog d'A vida com Logan não está mais no ar, mas vocês podem conferir mais do trabalho do Flávio aqui e segui-lo no Twitter

Evento | Tudum Festival

Depois de anos sendo uma entre muitos estandes nos eventos geeks, a Netflix resolveu chutar o pau da barraca, fazer uma convenção pra chamar de sua e criou o Tudum Festival, um evento feito para os fãs celebrarem as criações da produtora e se sentirem dentro de suas séries e filmes favoritos.

O festival foi realizado na Bienal do Ibirapuera e totalmente gratuito, fato que não significou que o evento fosse meia boca, já que a programação estava repleta de shows, painéis de discussões e com atores das produções da Netflix incluindo os protagonistas da trilogia de filmes Para todos os garotos que já amei: Lana Condor e Noah Centineo.

Graças a Deus não enfrentei o terror que foi conseguir os ingressos para o evento, porque peguei eles antes de anunciarem a Lana e o Noah no line-up, mas depois do anúncio tudo o que eu via na timeline eram pessoas reclamando do sistema de ingressos que tava caindo e liberando ingressos que não existiam mais na hora de fechar a compra, então Netflix fica a dica pra próxima vez ^^

Ao chegar no evento já eramos recebidos com mimos, pois todos ganhavam um copo estilizado com ilustrações que remetiam as produções que estavam sendo mostradas no festival. Mas se além do copo você também quisesse ganhar uma camiseta ou ecobag com ilustrações de sua escolha, era preciso enfrentar uma fila pequena de apenas de algumas horas, então vamos dizer que eu tava muito feliz só com o meu copo XP.

As séries/filmes com ativações nesse evento foram:

  • Modo Avião - Ateliê para aplicação de patches
  • Sabrina - Tenda de tarô, aula de poções e projeção astral
  • Stranger Things - Fenda do upside down, piscina comunitária e arcade
  • Atypical - Iglu para descanso e recarregar o celular
  • Sintonia - Barbearia e estúdio de edição
  • A Barraca do Beijo - Máquina de dança e barraca do beijo
  • Sex Education - Quarto do Eric, banheiros e estúdio de drag
  • The Ending of the F**ing World - Cenário com peças de carros
  • To All The Boys - Quarto da Lara Jean, Corner Café e espaço para trocar cartas de amor

o que me surpreendeu nas ativação foi o fato de que elas eram muito mais do que apenas cenários para tirar fotos e postar no Instagram, algumas foram projetadas para que você entrasse na vibe da série/filme. Pra mim as melhores foram as ativações de Sabrina, Sintonia e Sex Education, mas que infelizmente não consegui participar pelo fato do tempo de fila só perder para fila das camisetas/ecobags ^^


Como o segundo filme de To All the Boys estava para estrear a Netflix também levou o figurino dos personagens para uma pequena exposição e eu amei descobrir que eu e a Lana calçamos o mesmo número de sapato, ou seja, aquele Oxford vermelho totalmente podia ser meu HAHHAHAHA


Os palcos Hawkings e Greendale eram o espaço para os shows, discussões e entrevista com os atores. A curadoria para os palcos estava de parabéns com temas bem relevantes para o público e alinhados com as séries. No dia que eu fui (domingo) teve show do Anavitoria, Tropkillaz, um bate papo sobre sobre sexo e sexualidade e um painel com o Whindersson.

Para um primeiro evento, a estrutura do festival tava ótima. Como ele tomou conta de todos os andares da bienal, mesmo com bastante fila e palcos lotados era possível andar tranquilamente, sem precisar esbarrar em alguém. Pra vocês terem uma ideia era tanto espaço que ainda tinham umas ilhas de descanso espalhados pelo prédio, onde eram possível carregar o celular e ver o que tava acontecendo nos palcos sem ter que ir para muvuca.


Além das ativações, painéis e shows, a Netflix fez parceria com a C&A, Livraria Leitura e editora Intrínseca, então era possível comprar brusinhas e livros da sua série/filme favoritas (como o evento já passou eu dei uma olhada no site da C&A  e vi que eles ainda tinham algumas estampas pra vender). O evento também tinha com uma praça de alimentação muito bem servida, com comida para todos os gostos e com os melhores nomes de barracas que eu já vi.


A única coisa que não curti no evento foi o fato de que você só podia escolher ir em um dia. Eu sei que era para que o máximo de pessoas pudesse viver a experiencia, mas eu que peguei o ingresso antes o anuncio do line-up tive que torcer pra ter alguém legal no meu dia já que eu não podia trocar de dia.

De modo geral o festival foi maravilhoso e já estou esperando uma segunda edição, mas a pergunta que não quer calar é: Netflix ...

Resenha | Q&A a day - Potter Style


O inicio de um ano é sempre uma boa época para iniciarmos projetos e a resenha do livro desse mês é sobre um projeto que iniciei a cinco anos e que com toda a certeza irei continuar por mais cinco.

O Q&A a day trata-se de um livro interativo que tem uma pergunta por dia e que dura cinco anos, ou seja você vai respondendo uma pergunta por dia e quando chega no fim do livro você volta para o começo e começa mais uma rodada. 

As perguntas contidas no livro são de todos os tipos desde as mais simples como "Qual foi a última coisa que você comprou?" ou "A coisa mais velha que você está vestido?" ou coisas mais intimas como "Qual é o seu propósito no mundo?" ou "O como você gostaria que as pessoas lembrassem de você?"

Então ao longo dos anos esse livro vira uma capsula do tempo que você pode revisitar e ver como você mudou com o tempo. Nesses cinco anos de Q&A a day eu pude ver o quanto eu mudei em algumas coisas e o quanto eu não mudei nadinha (nunca vou gostar de acordar cedo no fds XP) e como ler essas coisas fez bem para eu me conhecer melhor e lembrar sobre como estava a minha vida cada vez que eu respondi a mesma pergunta.

A edição em si é bem bonita, com capa dura e tamanho compacto ele é perfeito para levar consigo para vários lugares, (e isso me ajudou muito a manter as respostas em dia, principalmente em épocas de Campus Party e viagens), mas pra mim a única coisa ruim é o quantidade das linhas porque tem perguntas que pra mim são quase impossíveis de responder em 3 minusculas linhas.

A versão que eu tenho é a americana, porque quando eu comecei o projeto ainda não não tinha uma versão traduzida, mas a uns ano isso foi resolvido e a Intrínseca lançou a versão BR que se chama "uma pergunta por dia" e pelo o que eu vi é igual a versão em inglês e tem até as laterais douradas.

Aliás existem outras versões desse livro, como a para crianças, para casais, para grávidas e uma outra que dura três anos e tenho certeza que todas são tão divertidas quanto essa. 

Eu sei que o hype dos livros interativos já passou, mas responder o Q&A a day (Uma pergunta por dia) foi tão bom que mesmo após já ter terminado o meu, eu já comprei outro para ver como eu vou estar diferente nos próximos cinco anos.