Review | Instax Share SP2

Um tempo atras fiz um post sobre a minha câmera instax e sobre como depois de acabar com o medo de usar o filme comecei a entender melhor ela. Acontece que com essa crise financeira comprar filmes para a câmera está ficando cada vez mais caro e então decidi investir numa impressora de fotos pra não ter mais problemas de "queimar" o filme. Existem muitos tipos de impressoras de fotos, mas como eu amo o estilo de instax (e já tinha um pacote de filmes) preferi comprar a instax share SP2.
Usar a impressora é a coisa mais fácil. É só baixar o app chamado Instax Share, disponível para iOS e Android, selecionar a imagem que deseja da sua galeria de fotos, editá-la (se você quiser quiser), conectar com a impressora e imprimir. Além de fotos da galeria você pode escolher a opção de tirar uma foto na hora ou escolher de alguma rede social.
Porém a função que eu mais gosto é a reprint, onde o app armazena as fotos que você já imprimiu assim com as modificações pra você imprimir novamente. Isso é muito bom quando se tira foto em grupo e quer imprimir várias cópias.
A impressora é do tamanho do tamanho da minha mão (ou seja, compacta, perfeita para levar na bolsa) e funciona a bateria. Para ver quantas poses ainda restam a ser impressas você pode olhar tanto no app, quando pela quantidade de luzes acessas na impressora.
A foto quando impressa sai um pouco mais clara do que a foto original, mas no app você pode usar filtros ou até mesmo editar a foto manualmente para que ela saia melhor. Agora comparando com a foto que sai da câmera eu diria que não tem muita diferença, a não ser toda aquela mágica do tirar a foto e ela já sair sem você saber como ela vai ficar.
Infelizmente essa versão da Instax Share, ainda não está disponível aqui no Brasil. A única disponível é a SP1 a venda por cerca de 930 reais e que de diferente com a SP2 tem o tempo de impressão e a resolução da foto. A minha SP2 a Rayane trouxe de Nova York e custou 150 dólares (convertendo +/- 600 reais) mas você pode comprar na Amazon e pedir pra entregarem aqui através daqueles serviços de redirecionamento que mesmo que cobrem um pouco a mais vai sair muito mais em conta do que comprar a SP1 nas lojas brasileiras.
Depois de toda essa review fica a dúvida: devo investir na câmera ou na impressora? Bem aí vai do quanto você é exigente com as fotos que tira, já que com a câmera você não tem nenhum controle sobre como a foto vai sair, é clicar e pronto e já com a impressora é possível editar a foto e ter a certeza de que ela vai sair linda.

Se depois de tudo isso ainda restar alguma dúvida é só deixar aí nos comentários ^^

Resenha | Golem e o Gênio - Helene Wecker

Ano: 2015
Páginas: 512
Editora: DarkSide
Nota:


Sabe quando você termina um livro e fica se perguntando o porque de ter demorado tanto para lê-lo? Bem, é assim que eu me senti ao terminar Golem e o Gênio. Desde o seu lançamento a única coisa que lia era sobre como ele era incrível e que todos deveriam ler, só que mais de um ano se passou e o livro continuava na minha estante ou porque algo mais chamativo aparecia ou por simples preguiça já que ele possui mais de 500 páginas! Mas então o grande dia chegou e finalmente o peguei para ler e agora me junto ao coro ao dizer: que história maravilhosa!

A Nova York do inicío do século XX é o cenário para essa maravilhosa fábula e é onde somos apresentados não somente a um lado da cidade do qual raramente é mostrado, como também somos apresentados a novas culturas.

Chava é uma golem, uma criatura feita de barro e com propósito de proteger o seu mestre, porém sua criação teve como principal fator ser a esposa perfeita e como isso ela possui um grande conflito com sua verdadeira natureza. Já Ahmad é um Djin, criatura feita de fogo, extremante egoísta que durante sua vida no deserto da Síria acabou de algum modo preso em uma garrafa de cobre.

Ambos são trazidos a Nova York por imigrantes, conhecendo assim a parte mais pobre e dura da cidade, onde as prioridades são ter um lugar para dormir e sobreviver ao inverno. Chava passa a viver na parte Judaica enquanto Ahmad na parte árabe da cidade e apesar das personalidades diferentes formam uma amizade cheia de altos e baixos, compartilhando e ajudando um ao outro nas dificuldades de viver entre os humanos.

Quando a amizade de Chava e Ahmad parece ter se acertado, um grande incidente acontece para separá-los e dessa vez parece que em definitivo, porém a chegada de um inimigo capaz de ameaçar a existência das duas criaturas os leva a se reunir novante e dessa vez para fazer uma escolha que irá impactar ambos.

Essa foi a primeira vez que li um livro de fantasia que se trata de mitologia judaica e árabe, pois quando peguei esse livro eu não sabia nada sobre ele (é o famoso tenho pelo hype e pela capa ^^) então quando descobri que se passava em uma época diferente e que falava de outras culturas, fiquei extremamente curiosa. Conforme eu lia prestei atenção em como as coisas era bem detalhadas, tanto os lugares quanto os costumes das pessoas e de repente ler sobre o Lower East Side e a pequena Síria era como andar e viver nesses lugares de tão rico de detalhes que é a narrativa.

Por ser um livro único fiquei maravilhada com a complexidade de cada personagem que a autora nos apresenta, pois durante a leitura vamos descobrimos a história de cada um, acompanhamos suas evoluções e chegando a conclusão de que nenhum deles está ali por acaso e de todos dois chamaram muito minha atenção. Eu adorei como a evolução e os questionamentos da Chava foram tratados ao decorrer do livro, como ter que se controlar a todo o momento, o sentimento de enclausuramento e de não poder ser ela mesma, foi explicado tão bem que dava pra sentir exatamente o a personagem estava passando. Também achei muito interessante descobrir como Saleh Sorvete, se tornou o homem idoso que vive da venda de sorvetes na pequena Síria e que ignora a tudo e a todos.

Quando terminei o livro além daquela tristeza básica em se despedir dos personagens, percebi também tinha aprendido muito com ele por ser uma história baseada em um cultura diferente e com isso deu aquela vontade de sair lendo vários livros de outras culturas, então sugestões são bem vindas, já que não tenho ideia de onde começar ^^

Golem e o Gênio é um livro diferente de tudo o que já li, narrado em uma época não muito explorada nos livros do gênero, com lugares e culturas diferentes e com personagens tão bem construídos que todo mundo deveria superar o medo por causa das mais de 500 páginas e lê-lo agora mesmo.

Unboxing | Turista Literário

Se preparem que o post de hoje vai ser um bombardeio de fotos ^^

Como eu disse no post da FLIPOP, graças aos meios persuasivos da Ray acabei assinando o Turista Literário. O engraçado é que fazia tanto tempo (na minha cabeça) que eu tinha assinado que já havia esquecido dela e só lembrei quando as fotos oficiais do evento forma divulgadas HAHAHAHA. Depois desse pequeno lapso de memória e da demora básica dos correios, minha mala finalmente chegou com um conteúdo que me reforçou a ideia de continuar com a assinatura.


Quando eu abri a caixa fiquei abismada com o tanto de coisa veio e em como tudo veio bem embalado. Deu pra perceber que a equipe do Turista se preocupa muito com a primeira apresentação dos itens, aliás é tudo tão bem embrulhado que dá até dó de rasgar o papel para ver o que tem dentro.

Por ser minha primeira mala, nessa caixa vieram o passaporte para colocar os carimbos (que por ser o segundo ano da caixa está com uma cor nova) e um cartão postal de boas vindas, além disso veio o guia de viagem, explicando sobre o livro do mês e para qual lugar será a "viagem", e a tag de viagem, explicando os itens que se encontram na caixa.


O primeiro item da caixa foi o item de tato/olfato. Ele veio nessa caixinha que contem um cordão em formato de gaita com uma frase gravada que tem a ver com a história do livro e cascas de uma árvore que tem um cheiro tão bom, mas tão bom que dá vontade de espalhar pela casa toda *--*


Segundo a tag de viagem no livro o pai do protagonista diz que temos que nos presentear até quando tentamos fazer algo, mesmo que aquilo não dê certo, então o item de comer é um bolinho recheado, chamado de bolo de tentativa.


Vamos falar do souvenir maravilhoso dessa viagem. Já fazia um tempo que o meu fone de ouvido está nas últimas, mas eu estava adiando ao máximo ter que comprar um outro porque demoro anos para escolher um algo que tenho um bom custo/benefício, então imagina a minha alegria quando vi esse fone lindo dentro da caixa, aliás como o tema principal desse livro é a música eu achei que não existiria um souvenir melhor do que esse. Eu ainda não sei o que eu mais gostei nele, se foi a cor, a arte do quote ou o fato de eles ser super confortável.


Agora o que dizer desse livro que eu mal conheço e já considero pacas? Quando eu li as dicas sobre o que viria esse mês (sim, sou curiosa) já sabia que seria um livro da Darkside e só por isso eu já sabia que ia amar qualquer coisa que viesse, então imagina a minha cara quando vi essa coisa linda na caixa? Eu já havia visto esse livro nas livrarias mas não sabia da história, agora que eu sei, vamos ver se vou gostar dele tanto quando eu gostei da capa.
Sinopse: Três irmãs chamadas Eins, Zwei e Drei. Um, Dois e Três. Três princesas que escaparam das garras da morte para se tornar prisioneiras de uma bruxa. A única maneira que elas têm para quebrar o feitiço e escapar da floresta onde vivem é através da música. Uma harmonia em três vozes capaz de viajar pelo tempo e espaço, e tocar profundamente a vida das pessoas que a escutam.
A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda.
Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca.

De um modo geral valeu muito a pena assinar o Turista Literário porque a caixa é composta de itens tão bem pensados para transpor a história de um jeito tão real pro nosso mundo que pra mim o custo benefício está mais que ok.

Agora eu não vejo a hora da mala da próximo mês chegar já que percebi que ver as pessoas fazendo unboxing do Turista e fazer o seu próprio são experiencias muito diferentes, pois quando eu via os unboxings na internet eu não fazia muita questão de tê-los, mas depois de ver ao vivo na FLIPOP e depois de receber o meu em casa sinto que me apaixonei por essa experiencia.

Resenha | Os Videntes - Libba Bray

Ano: 2012
Páginas: 600
Editora: iD
Nota:
Já faz muito tempo que ouço falar das obras da Libba Bray, porém como comprar livros em inglês está ficando mais difícil com a alta do dólar e o único livro dela traduzido era muito difícil de encontrar já que foi lançado pela editora ID, acabei deixando de lado. Até que na Bienal do Livro de SP (sim, faz tempo) acabei achando o livro em uma daquelas lindas promoções e só tenho uma coisa a dizer: COMO NINGUÉM NUNCA FALOU DESSE LIVRO???

Os videntes se passa na Nova York dos anos 20 em meio a melindrosas, lei seca e contrabandistas, e justamente para essa cidade agitada que Evangeline "Evie" O'Neil é exilada após difamar um membro de uma prestigiada família de sua cidade natal. Mas Evie não está triste com isso, se soubesse que esse seria seus destino teria feito isso antes já que sempre sentiu que não combinava com o interior.

Ao chegar na cidade ela se vê maravilhada com tanta coisa acontecendo e logo se vê em meio a shows, festas, compras e é claro as glamorosas garotas  Ziegfeld. Porém nem tudo é perfeito e Evie tem viver com o seu Tio Will, o curador do museu de Norte-americano de Folclore, Superstição e Ocultismo, que tem a moral tão elevada que é chamado de museu dos Insetos Rastejantes.

Ao mesmo tempo que Evie, um serial killer também chega a Nova York, deixando rastros de suas ações por toda a cidade, porém esses não são assassinatos comuns e tudo nas cenas dos crimes remetem ao ocultismo, levando Evie e seu tio a se envolverem numa investigação policial que além de revelar o culpado pode revelar um grande segredo de Evie.

Por se passar numa época que eu nunca tinha visto ser tratada num livro YA, muitas coisas ali para mim foram novas, como os clubes clandestinos, a importância de ser uma garota Ziegfeld e o modo geral em como a sociedade se comporta e confesso que esse estranhamento de atmosfera foi uma das coisas que fez com que a leitura soasse arrastada. Além disso a trama me pareceu um pouco confusa pois ela fica alternando entre presente e passado e as vezes eu não sabia em que tempo o que eu estava lendo acontecia, porém conforme eu ia avançando e entrando mais a fundo no mistério, foi ficando cada vez mais difícil largar o livro pra fazer outras coisas.

Mesmo tendo Evie como personagem principal, o livro também é narrado pelos personagens secundários e com isso conhecemos Memphis (um coletor de apostas), Sam (um ladrão), Jericó (assistente do Tio de Evie), Mabel (melhor amiga de Evie) e Theta (dançarina e amiga de Evie). Todos os personagens são bem construídos e possuem histórias que de um jeito outro estão interligadas entre si e ao mistério do livro e ver como essa ligação acontece pra mim foi o ponto alto dessa história, além de ser possível ver como um mesmo evento é interpretado por pontos de vista diferentes.

A coisa que me chamou mais atenção nesse livro foi a descrição das cenas envolvendo o serial killer e os assassinatos. Por ser um livro voltado para o público jovem eu esperava uma descrição bem por cima das cenas, mas a Libba me surpreendeu com descrições tão detalhadas, que eu conseguia visualizar perfeitamente os corpos mutilados, sentir o cheiro de podridão e sentir repulsa daquela cena a ponto de ter que parar de ler um pouco fazer outra coisa e depois voltar. Já nas cenas envolvendo o serial killer foi bem interessante a construção da motivação dele e espero muito que nos próximos livros seja mantido a mesma linha de vilão.

Esse é o primeiro livro de uma série que infelizmente eu acho que não vai ter o resto trazido para o Brasil, visto que esse livro foi publicado pela extinta editora ID e agora com essa crise várias editoras estão deixando de publicar continuações que não são best sellers, mas caso você possa ler em inglês e se interessou por essa história incrível pode adquirir o segundo volume (Lair of Dreams) e esperar até Outubro para ler Before the Devil Breaks You e descobrir com a Evie e todos esse personagens vão se dar com poderes que vão além de seus controles.

Evento | FLIPOP

Esse fim de semana aconteceu a FLIPOP, o festival de literatura POP organizado pela Editora Seguinte (ou como eu gosto de chamar, o festival que todo mundo precisava) e com toda a certeza do mundo posso dizer que entrou para o hall de melhores eventos da minha vida!

Essa foi apenas primeira edição, mas depois de ver todo o feedback positivo que a galera tá dando nas redes sociais, acredito que essa vai ser a primeira FLIPOP de muitas. Pra começar com pé direito a editora trouxe dois autores internacionais, a Alwyn Hamilton e o Benjamin Alire Sáenz, além de VÁRIOS autores nacionais como Babi Dewet, Bárbara Morais, Eduardo Cilto, Eric Novello, Frini Georgakopoulos, Larissa Siriani e Luíza Trigo.

A Seguinte acertou em cheio em preferir fazer um evento com menos pessoas, criando um ambiente intimista e cheio de respeito. Era lindo ver autores andando por todos os lados, conversando e trocando experiencias com os leitores na maior calma, sem todo aquela loucura que vemos nas bienais da vida e isso me fez pensar que precisamos muito por mais eventos assim, que aproxime autores de leitores para que a relação entre eles seja mais de amigos do que de fã e ídolo.
A FLIPOP foi bastante centrada em discutir temas que permeiam o gênero YA e teve painéis com temas bastante relevantes como por exemplo o poder da internet, clichês, dicas de escrita e adaptações literárias. No sábado o único painel que assisti  foi o sobre clichês com a Iris Figueiredo e o Vitor Martins. Infelizmente não peguei ele do começo, mas foi um bate papo sobre os clichês no YA e sobre como eles podem fazer tanto bem quanto mal para a história. Uma coisa que me chamou bastante atenção quando foi dito e que eu não havia percebido é que quando há clichês significa que estão tendo muitas histórias sobre um determinado gênero e que estamos percebendo que a representatividade nas histórias está ficando maior graças aos clichês que estão se formando sobre ele.

No final desse dia teve o tão aguardado baile da seleção e MEU DEUS QUE BAILE! A decoração do lugar estava linda, com balões, globo de luz, mesa decorada com a capa dos livros e TINHA ATÉ OS VESTIDOS DA AMERICA PARA VESTIR!! Como tenho espirito de velha eu não conhecia a maioria das musicas que tocaram lá, mas realizei o sonho de "dançar" as coreografias do Just Dance em uma festa então foi bem divertido ^^
No Domingo assisti o painel sobre adaptações e transmídia com a Larissa Siriani e a Luiza Trigo, onde elas falaram sobre como foi ter um livro adaptado (Luiza teve "Meus 15 anos" transformado em filme) e como é adaptar um livro (Larissa Siriani adaptou "Senhora" em uma websérie chamada Dona Moça). Esse painel foi repleto de histórias engraçadas e inspiradoras, passando a mensagem de que tudo é possível basta ter força de vontade, como por exemplo fazer uma websérie com 500 reais ou ter poder sobre o roteiro da adaptação do seu livro ou nada feito (me lembrou muito a J.K ^^).

O outro painel do dia e o meu favorito do evento foi o Profissão fã, com Babi Dewet, Frini Georgakopoulos e Mayra Sigwalt. Esse painel me representou num nível que não sei nem explicar, tudo bem que o foco ali era contar sobre como elas conseguiram "monetizar" a condição de fã, mas foram tantas histórias sobre o que é ser fã, as loucuras e como isso nos fez ser o que somos hoje, que no final do painel quando a Frini leu um texto do livro dela foi difícil segurar as lágrimas.
Além dos painéis na FLIPOP havia um estande da Saraiva com livros da Seguinte e dos autores convidados (com preços tão salgados que eu só comprei os que eu queria muito que fossem autografados), uma cabine de fotos maravilhosa, um jogo de tiro ao alvo (em homenagem ao livro rebelde do deserto) e um estande de encher os olhos do turista literário (que a Ray me convenceu a assinar, então já sabem que daqui um tempo teremos alguns unboxing)
Ao final de cada dia ocorria uma sessão de autógrafos com os autores internacionais gincanas, sorteios e um bate-papo com a equipe da Seguinte, onde foram feitos muitos pedidos de autores para o próximo evento, além de algumas perguntas e críticas sobre o mesmo. A Ray pegou autógrafo da Alwyn que foi uma fofa conversando com os leitores e é dona do par tênis mais cool do mundo.
Só digo que a Seguinte arrasou com esse evento! Espero muito que ele se torne anual, que cresça (mas que não perca esse ambiente tão gostoso que senti nessa edição) e que mais autores e editoras se juntem a esse projeto tão incrível que é celebrar a literatura. VALEW SEGUINTE!

A pressão da comunidade literária

Já faz um tempo que venho percebendo que estar no meio da comunidade literária fez com que meus hábitos de leitora mudassem, estar no meio de tanta gente que compartilha o mesmo amor de livros que eu no começo foi um coisa maravilhosa, pois sempre tinha alguém para conversar sobre determinado livro, mas agora sinto que está se tornando uma coisa sufocante.

São vários posts de resenhas, lançamentos do mês, book haul, lidos do mês, tags, indicações e com isso tudo me vejo afogada num mar de informações sem saber por onde começar e com o sentimento de ser o coelho da Alice, sempre atrasada. Isso sem contar as famosas bookshelf tours que me impactam de maneira visual, pois elas são repletas de livros, todos em perfeito estado e em edições pra deixar qualquer louco por livros com um invejinha. 

Percebi que toda essa exposição estava me fazendo mal quando olhei pra minha estante e vi que a quantidade de livros para ler estava ficando cada vez maior e meu ritmo de leitura estava diminuindo. Aí me coloquei na famosa regra de só comprar novos quando houvesse terminado minha pilha, só que ali tinham exemplares que eu havia comprado a cerca de 3 anos e que hoje em dia não me chamavam mais a atenção e nessa onda de ler tudo o que eu tinha sem restrições, a leitura se transformou em uma obrigação e logo comecei a troca-lá por outras coisas, como Netflix, jogos ou assistir vídeos de booktubes e alimentar ainda mais o coelhinho da Alice.

A princípio não reparei que o problema era esse "me forçar a ler" e então comecei a diminuir minhas inscrições em canais do Youtube pois pra mim eu estava mais vendo gente falando sobre livros em vez de eu ler e falar sobre eles eu mesma. Só que isso não deu certo e resultou em vários livros começados e abandonados com menos de 20 páginas lidas para quando finalmente achava um livro que me prendia lia ele em 1 mês e demorava mais uma vida para achar outro. Só fui perceber o que estava realmente me afetando quando vi alguns vídeos no canal da Ariel Bisset, onde ela fala exatamente isso: o excesso de livros, a pressão para ler rápido ou de sempre está em dia com os lançamentos. 

Com esses vídeos vi que o problema não era só comigo e que muita gente da comunidade também estava se sentindo assim. Foi uma descoberta tão impactante que depois disso comecei uma limpa na minha estante, separando todos os livros que eu sabia que não ia mais ler (para doação ou para vender em algum sebo), decidi ignorar o desafio de leitura do Goodreads, além de ter reformulado a regra da compra de novos livros: agora só irei comprar os que irei ler imediatamente, nada de comprar para deixar na estante. Só de fazer essa limpa e ver na estante livros que tenho vontade de ler (e não vou negar, aquele espacinho desocupado indicando que poderiam caber mais livros) me deu um gás tão grande que rápidinho achei um novo livro para ler e com aquela vontade de não fazer mais nada a não ser lê-lo.

Sei que é um pouco controverso fazer um post desses aqui no blog, mas resolvi fazê-lo mesmo assim, porque ler é algo que eu uso para escapar dos problemas e não para ser mais um, além disso podem existir outras pessoas que estão com o mesmo dilema e que só precisam de um empurrãozinho para se libertarem dessa pressão. Desculpem pelo textão e até a próximo post ^^

*Vídeos da Ariel citados no post [em inglês]
The book purge: http://bit.ly/2tD4dQV
Not A "Proper" Reader?: http://bit.ly/2skvdAR

Resenha | The Silent Stars Go By - Dan Abnett

Ano: 2013
Páginas: 279
Editora: BBC Books
Nota:
Doctor Who é aquele tipo de série que possui um mundo tão rico que acaba extrapolando da TV, até porque com um plot cheio de viagens pelo tempo e espaço as possibilidades de histórias para contar são enormes e com isso além da série as aventuras do Doctor são contadas através de livros e audiobooks. Eu como a fã obcecada que sou tinha que ver essas outras histórias e desse modo acabei comprando o The Silent Stars Go By, uma história do 11 Doctor com a Amy e o Rory.

Essa é uma daquelas histórias que claramente poderia ser utilizada para um especial de Natal, pois a começamos com o Rory querendo voltar para casa depois de uma aventura a tempo do natal, porém quando se trata da TARDIS sabemos que não vamos para onde queremos mas sim para onde somos necessários e com isso o Doctor, Amy e Rory vão parar na colonia dos Morphans, um povo que está dando tudo de si para colonizar o planeta em que se encontram, porém a algum tempo tudo parece estar dando errado: a temperatura está esfriando, os animais estão mortos por alguma criatura sendo e pessoas estão sumindo.

Ao avistarem o Doctor e seus companions na colônia, os Morphans já deduzem que eles são os causadores de todas as desgraças que estão acontecendo e logo tratam de prendê-los e decidir um fim para eles. Agora resta ao Doctor, Amy e Rory, provarem sua inocência e descobrir o que está causando tudo isso a colônia.

Confesso que foi meio estranho ler uma história de Doctor Who ao invés de assistir, mas depois que acostumei a história fluiu de um jeito que quando vi o livro já estava acabando. O vilão desse livro (isso não é spoiler) é um vilão muito popular na série clássica e pouco explorado na série atual, mas por já estar acostumada a ver Doctor Who me espantei em como foi fácil imaginar todas as cenas e até ouvir as vozes dos atores quando os personagens falavam.

Uma das coisas que eu sentia medo ao me deparar com esses livros era de que as personagens
não parecessem com elas mesmas ou de que a história fosse muito diferente do que estou acostumada a ver na série, pelo fato de outra pessoa estar escrevendo, mas isso não aconteceu e a semelhança com um episódio era tanta que quando abri o livro cantei a musiquinha de abertura e imaginava em quais partes do livro seriam os comercias ^^

Um dos maiores pontos positivos do livro é o fato de o autor tem mais liberdade para criar e a história se torna muito mais rica em detalhes, pois ele não precisa depender de um orçamento para mostrar cenas de ação ou cenas com utilização de tecnologia alienígena. Isso me fez pensar sobre como a série seria muito melhor (não que ela não seja) se possuísse mais recursos para as filmagens.

Infelizmente esse livro ainda não tem em português, mas outros livros já foram traduzidos para o português como é o caso de "Mortalha da Lamentação" e "Shada" e acredito que com o sucesso da série no Brasil essa lista vai ficar bem maior. Então se você é fã da série, sabe inglês e está sem saber o que fazer entre um epsódio e outro eu definidamente recomendo The Silent Stars Go By.

Resenha | A guardiã de histórias - Victoria Schwab

Ano: 2016
Páginas: 322
Editora: Bertrand Brasil
Nota:
Tenho um problema chamado: não consigo gostar de algo e não ficar obcecada por ela, então depois de ler um tom mais escuro de magia e ficar com um gosto de quero mais, fui correndo pegar outro livro escrito pela Victoria Schwab para saborear mais uma vez cada palavra e viver mais uma vida criada por essa maravilhosa autora.

Mackenzie é uma adolescente com uma vida marcada pela perda. Aos 16 anos viu seu irmão e avô saírem da sua vida de uma hora para outra e pra melhorar ela possui como "trabalho" impedir que as histórias escapem para o mundo dos vivos e esse trabalho faz com que superar a morte dos entes queridos se torne algo muito mais difícil.

Na mitologia da série o mundo é dividido em três níveis: o mundo externo, estreitos e arquivo. O mundo externo é mundo dos vivos, o arquivo é onde as histórias são guardadas e os estreitos é o que liga os dois mundo e pra onde as histórias fogem quando acordam.

As histórias são mais ou menos como se fossem nossas almas, ela é composta por nossa essência, experiências e lembranças e quando morremos a história sai do nosso corpo físico e vai descansar para sempre no arquivo. Porém algumas vezes as histórias acordam desse descanso e tomados pela confusão e pela revelação de estarem mortas acabam fugindo para o mundo exterior.

Para manter a a ordem no arquivo existem os bibliotecários, que são pessoas que cuidam do lugar, garantindo que as histórias continuem dormindo e quando elas fogem designam os guardiões aos locais para resgata-las.

Mackenzie é uma guardiã que herdou a profissão de seu avô quando tinha apenas 11 anos e desde então sempre foi muito boa em seu trabalho. Tudo começa a mudar depois que ela muda de casa, após a morte de seu irmão e começa a reparar que muitas histórias estão acordando ao mesmo tempo e tudo isso parece estar fortemente ligado a um assassinato que ocorreu em seu novo lar.

Mais uma vez fiquei maravilhada com esse novo mundo da Victoria, a história é tão envolvente e única que foi quase impossível para mim soltar o livro para fazer outra coisa. Esse livro é mais um daqueles YA que saem um pouco da curva do apenas entreter, ele te faz pensar e muito sobre uma coisa que nem todos gostam: a morte. Por ter perdido duas pessoas muito queridas e ser uma guardiã, a personagem principal reflete muito sobre a morte, como ela acontece para todo mundo, como isso afeta as pessoas, sobre como é difícil aceitar o fato de que nunca mais iremos ver aquelas pessoas novamente e como é difícil seguir em frente.

O jeito como a autora explora esse tópico no livro foi simplesmente perfeito. Não ficou uma coisa forçada, mas sim uma modo de entender mais sobre a Mackenzie e  ao mesmo tempo sobre nós mesmos, sobre como reagiríamos se estivéssemos passando pela mesma situação da protagonista.
A narrativa é feita em primeira pessoa e por conta disso em algumas partes em que a Mackenzie está contando sua história parece que ela está conversando com a gente e pra mim foi esse recurso que me fez me sentir mais próxima dela e dos sentimentos que ela tem durante todo esse período de luto.

Mas não se engane, mesmo se tratando de um livo com um tema central um pouco pesado ele ainda é uma leitura gostosa e instigante, pois ela é cheia de flashbacks que te deixam com aquela vontade de conhecer ainda mais do que aconteceu e como essas histórias irão afetar o rumo da trama. Além de ter capítulos curtos e repletos de plot twists, que me deixavam em desespero para descobrir o que ia acontecer na próxima página e me lembrava muito de quando eu estava lendo Game of Thrones ^^ .

A única coisa que eu não gostei foi o fato de terem mudado a capa original. Eu já tinha acostumado tanto com aquela capa com a chave e o rosto na fumaça que quando vi esse livro na livraria não reparei que se tratava do mesmo livro que eu via no booktube gringo e só fui cair por mim quando vi um vídeo de um booktuber brasileiro falando que era o mesmo livro.

A guardiã de histórias é um livro completo, que além de nos dar uma boa aventura nos faz pensar em algo mais e que pra melhorar faz parte de uma série, ou seja, tem mais livros pra serem lançados. O segundo "the unbound" ainda sem data de lançamento no Brasil e "the returned" que ainda está sendo escrito pela Victoria e não tem data de lançamento.

Resenha | The Heart of Betrayal - Mary E. Pearson

Ano: 2015
Páginas: 470
Editora: Henry Holt
---------------------------------
Ano: 2016
Páginas: 400
Editora: DarkSide Books
Nota:
Quando tive minha decepção ao ler o The kiss of deception, a única coisa que me fez ter vontade em continuar a série, foi o fato de que onde quer que eu lia sobre o assunto todos diziam que o próximo era infinitamente melhor, mas em tempos de que a vida é muito curta para continuarmos com livros que não gostamos, "perder tempo" em mais um livro de quase 500 páginas é muito arriscado. Resolvi confiar nas opiniões e dar mais uma chance para Lia e felizmente eles estavam certos, porque The heart of betrayal me fez sentir tudo o que eu esperava para o primeiro.

Ao fim do primeiro livro finalmente foi revelado que Kaden era a pessoa encarregada de matar Lia, porém como ele acabou se apaixonando por ela, cria histórias sobre ela possuir o dom e justificar o porque de não tê-la matado e a transformado em prisioneira. Agora Lia e Rafe são prisioneiros e veem seus destinos na mão do poderoso Komisar, o líder do reino que é capaz de tudo para ver a vitória de Venda sobre os outros.

Conforme os dias passam, Lia sofre uma desconstrução de tudo o que ela acredita ser verdade e percebe que Venda não é como lhe foi ensinado a vida toda, um lugar cheio apenas de bárbaros, mas sim um lugar que também possui pessoas boas que sofrem nas mãos dos reinos maiores. Com isso começamos a entender melhor como é a relação de Dalbreck e Morrigan com Venda dando forma a trama política que não foi tão explorada no antecessor. Isso chamou muita a minha atenção, pois tenho certeza de que o que nos foi mostrado não é nem a ponta do iceberg do que esses reinos realmente são.

Além da parte política, também sabemos mais sobre a história dos reinos através dos trechos dos testemunhos de Gaudrel e das canções de Venda. Dessa vez eu achei muito mais fácil de interpretar essa parte, (que a meu ver é a mais importante do livro)  e a cada trecho lido eu ficava imaginando como os personagens reagiriam caso tomassem conhecimento daquilo. Outra coisa que foi bom descobrir mais um pouco foi  sobre o dom da Lia. Agora deu pra perceber quando se manisfesta e para qual propósito, mas mesmo com essas "aparições", isso ainda me pareceu confuso e mal desenvolvido e espero muito que tudo isso seja explicado no próximo livro.

A nova localização dos protagonistas, fez como que um novo ponto de vista seja adicionado a narrativa e agora também vemos um pouco de como as coisas do outro lado estão acontecendo através dos olhos de Pauline, que por ser deixada para atrás está fazendo tudo ao seu alcance para libertar Lia de seus captores.

Alias, o desenvolvimento dos personagens está de parabéns nesse livro, já que o romance foi deixado de lado (ele ainda existe, afinal depois de tantas mentiras Kaden e Rafe ainda lutam para se fazer dignos do amor de Lia) e a construção dos personagens foi posto em primeiro plano. A Lia deixou de ser uma garota tão ingênua e agora está se descobrindo mais forte e que pode jogar no mesmo nível dos poderosos, Rafe está aprendendo a controlar seus instintos e Kaden, que na minha opinão teve o melhor desenvolvimento, conta a Lia um pouco mais de sua infância e de como se tornou o assassino de Venda.

The heart of betrayal cumpre bem o papel de segundo livro da trilogia, trazendo mais conteúdo sobre o mundo criado e explorando mais os personagens, porém muitas pontas ainda ficaram soltas o que me faz pensar que a autora vai ter um pequeno trabalho para amarrar tudo no último livro. Em geral o livro foi muito satisfatório e mal posso esperar para ter o próximo em mãos e descobrir o que vai acontecer com a Lia.