Resenha | Sou fã! E agora? - Frini Georgakopoulos

Ano: 2016
Páginas: 160
Editora: Seguinte
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Eu sou fã, tu és fã, ele é fã, todos somos fãs. Pode ser uma banda, um livro ou uma pessoa, sempre vai haver algo que vai nos deixar naquela “sofrência” de querer saber mais, ter mais e nunca ser o suficiente. Comecei minha vida de fã aos 12 anos quando assisti o VHS de Harry Potter e a pedra filosofal, e desde então a lista de “coisas que sou fã” só cresceu. Aliás um dos itens dessa lista é a autora desse livro, Frini Georgakopoulos ^^.

Em meados de 2005/2006, procurando coisas sobre Harry Potter me deparei com um podcast que falava sobre Harry Potter, a Rádio Patrono (a rádio que salva o seu dia XP) que era apresentado por várias pessoas, entre elas a Frini. Depois que a Rádio acabou (ou não, ainda tenho esperanças de um revival, afinal Gilmore Girls e Full House voltaram) não queria me desapegar das pessoas que salvaram meus dias por vários anos e comecei a acompanhar o trabalho da Frini em outras mídias, então é claro que eu iria adquirir Sou fã! E agora? quando soube do lançamento. (pronto, acabou o momento fangirl ^^)

Sou fã! E agora? é um guia de sobrevivência feito especialmente para nós fãs, que sabemos o quão é difícil gostar de algo e nem sempre ter alguém para compartilhar, afinal quem vai surtar com a gente quando o personagem preferido morrer ou quando a banda favorita anunciar um show na cidade? O livro é dividido em quarto partes e em cada uma a Frini fala um pouco sobre o mundo da literatura jovem adulta, por que amamos tanto as histórias, além da relação entre fã e ídolo e como extravasar todo esse amor.

A escrita é uma das coisas que mais me cativou nesse livro, parece que você está conversando com o seu melhor amigo e várias vez me via respondendo em voz alta a algo que eu lia. Outra coisa é que o conteúdo mistura a experiencia da autora com vários artigos e dicas para quem quiser se aprofundar mais sobre o assunto e o que leva a ver que ser fã é uma coisa a ser levada a sério e não apenas uma fases como somos tratados a acreditar pela sociedade. Uma das partes que eu mais gostei foi o "Confissões de um livro" onde o livro escreve uma carta para nós leitores e foi engraçado o modo como tudo aquilo se encaixa perfeitamente XP.

Além disso, sou fã e agora? é interativo, cheio de atividades criativas que se entrelaçam muito bem com a parte escrita. Confesso que não sou muito fã desse tipo de livro, mas quem curte eu tenho certeza que vai achar que tem poucas páginas para escrever tudo o que gostaria ^^

Com uma capa linda (e que na minha opinião é um termômetro para saber de quantas coisas você é fã, afinal quero ver quem é capaz de nomear todas as referências) e um jeito de melhor amigo, Sou fã! e agora? é um livro para mostrar que não estamos sozinho e que ser fã é a coisa mais normal do mundo.
Vai faltar lápide ^^
Pude dar um abraço e matar a saudade da Frini na Bienal do Livro

Resenha | Sonata em punk rock - Babi Dewet

Ano: 2016
Páginas: 384
Editora: Gutenberg
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Já faz muito tempo que conheço a Babi Dewet (sigo ela nas redes sociais e assisto os vídeos do seu canal no youtube), porém por mais que já tenha ouvido falar, e muito bem, da trilogia "sábado a noite" nunca tinha lido nada escrito por ela. Durante a bienal passei no estande da editora Gutemberg e vi uma mesa cheia com o novo lançamento dela, resolvi dar uma chance e posso dizer que não me arrependi.

Valentina (ou Tim, como prefere ser chamada) é apaixonada pelo punk rock e tem o sonho de viver de música, porém em meio ao trabalho, problemas financeiros e tarefas de casa, esse sonho está indo para o último lugar na lista de prioridades. Até que um dia ela é aceita na Academia Margareth Vilela, o mais prestigiado conservatório de música de país e com a ajuda de seu pai, um famoso violinista, que foi ausente durante toda a sua vida, vê que seu sonho pode se tornar realidade.

No conservatório Tim, descobre um mundo novo, onde faz novos amigos, supera preconceitos e troca a conhecida e reconfortante guitarra, pelo difícil e assustador piano, fazendo com que descubra um novo lado de si, um lado que ama música clássica e reconhece que ela é muito mais do que apenas "música chata de elevador".

Quando Kim, o filho da diretora e melhor pianista do conservatório, cruza seu caminho de um jeito bem inusitado, Tim percebe que irá aprender muito mais do que técnicas para se tornar uma ótima musicista, mas também sobre o amor.

Sonata em punk rock é o primeiro livro da série "Cidade da Música", série que tem um diferencial que eu curti baste: Os próximos livros não serão continuação desse, serão histórias únicas que se passarão dentro da cidade da música, então além de conhecer mais sobre esse lugar e conhecer mais histórias, já quero vários cameos de personagens de livros passados por que ainda não superei não saber mais sobre a Tim e o Kim ^^

Aliás o que falar desses dois personagens que me deixaram completamente apaixonada em poucas páginas? A Valentina é uma garota que a cada página virada eu me identificava cada mais vez mais, ela é engraçada, é um poço de cultura nerd e por ter sido criada apenas por sua mãe adquiriu a ideologia feminista e uma postura independente que todas as garotas deviam copiar. Quanto ao Kim, eu estava igual as garotas da história e suspirava a cada vez que ele aparecia em cena, já que por mais arrogante e indiferente ele pareça ser, ir descobrindo o que acarretava esse comportamento foi uma das coisas mais interessante da leitura.

Uma coisa para se ter em mente durante a leitura é que esse livro se trata muito mais de seguir seus sonhos do que o romance entre os protagonistas. Eu demorei um pouco para entender isso, mas assim que entendi amei ainda mais essa história, já que sai um pouco do padrão de YA de ter o romance como trama central. Mas não se engane, por mais que o romance não seja o foco ele ainda existe e quando acontece ele é OMG e te deixa com uma vontade de quero mais por favor!

Outra coisa legal é que cada capítulo tem como título o nome de uma música, o que faz com que você sinta a ambientação do capitulo e entenda melhor o que está se passando na cabeça da Tim naquele momento. E pra não ficar que nem um louco procurando por cada música na internet existe uma playlist no Spotify prontinha para ser executada enquanto você faz a leitura.

Esse livro quase entrou para o hall de favoritos, mas infelizmente algumas coisas me incomodaram durante a leitura. A primeira delas foi que em algumas partes ele me pareceu didático demais, principalmente quando se fala de sororidade, e não pareceu encaixar na voz do personagem. Outra coisa que eu não gostei (mas que eu entendi porque se fomos parar para pensar muitas pessoas com seus 20 e tantos anos agem assim), foi que para a idade deles os personagens me pareceram um tanto infantis. Como por exemplo tudo o que a Tim faz tem que estar de acordo com o punk rock e se não está, ela fala que o punk rock ficaria decepcionado com ela ou ao fato de que o conservatório tem uma hierarquia de populares (com o Kim mandando em tudo) no melhor estilo high school americano.

Com uma capa linda, uma história apaixonante, referências a cultura pop, nerd, coreana e muita música, esse livro me prendeu do começo ao fim e me fez querer ler mais histórias da Babi. Então está mais que recomendado a todos que gostam de uma boa história e é claro muita música ^^