Resenha | A Espada de Vidro - Victoria Aveyard

Ano: 2016
Páginas: 490
Editora: Seguinte
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Continuando minha maratona de A Rainha Vermelha, o próximo livro da lista foi A Espada de Vidro e com relação a ele eu estava com muito medo dele cair na famosa maldição de a sequencia não ser tão bom quanto o primeiro livro, mas fiquei muito surpresa em o quanto a Victoria se superou, entregando não apenas evolução na história quanto também na escrita.

A Espada de Vidro começa exatamente depois do final do livro anterior, após a traição de Maven, após a fuga da arena de execução e após descobrirmos que Shade não morreu. Como se tudo isso já não bastasse para deixar a cabeça de Mare a mil por hora, ela também descobre que não é a única vermelha com poderes de prateados e segue numa missão de encontrá-los e recrutá-los para a luta contra o regime opressor dos prateados.

Enquanto isso, Maven não poupa esforços em capturar Cal e Mare para que ele paguem pelo "crime" que cometeram contra a coroa, fazendo com que Mare comece a questionar suas decisões em prol da resistência. Seria ela responsável pelas mortes daqueles que deram suas vidas pela causa? Estaria ela se transformando no monstro que está tentando derrotar?

Foram justamente essas perguntas que me deixaram tão animada quanto ao que podia ser esse livro, pois uma das coisas que mais me irritaram em A Rainha Vermelha foi que ele se parecia muito com outros livros que foram lançados na época e só foi se destacar nos capítulos finais. Aqui a história me surpreendeu do começo ao fim (mesmo que as surpresas nem sempre eram boas ^^) , já que a  atmosfera mais sombria e agitada que o anterior contribuiu muito para o desenvolvimento dos personagens.

Em vez da Mare esperançosa, vemos que a personagem está destroçada pela traição de Maven, ela custa acreditar que aquele que ela considerava seu amigo é apenas mais um prateado que a manipulou e se fecha para o mundo, tendo como nova crença a frase que aprendeu com Julian "Todo mundo pode trair todo mundo". Mas com descoberta dos sanguenovos (vermelhos com poderes, assim como ela), ela se vê na obrigação de localizá-los e protegê-los e com isso também entra numa jornada de auto-conhecimento: sobre seus poderes e sobre como suas ações afetam não só as pessoas ao redor, mas também os vermelhos em geral e isso faz com que ela fique mais consciente sobre seu papel na revolução. Cal também teve seu coração partido por Maven, afinal o irmão fez com que ele matasse o pai e o condenou a morte por isso e agora que é um príncipe exilado ele não não sabe mais o que fazer. Ele concorda com a guarda escarlate em querer tirar Maven do trono mas não deseja o fim da monarquia, aliás ele é o verdadeiro rei e tem a convicção de que pode melhorar a vida dos vermelhos sem ter que mudar o tipo de governo.

Mesmo estando a quilômetros de distância, Maven projeta uma enorme sombra no relacionamento de Cal e Mare, ambos se sentem culpados pelo o que aconteceu e ambos tem maneiras bem diferentes sobre como destronar o jovem rei. Eu realmente gostei desse relacionamento não ser perfeito e até acho que se não fosse o treinamento militar, Cal mostraria estar bem mais abalado que Mare, mas tenho que falar que o vai não vai dos dois as vezes dava nos nervos.

Aliás, Maven é o personagem que mesmo não aparecendo nessa parte se fez muito presente na história, protagonizando as cenas mais pesadas do livro e mostrando o quão sádico ele pode ser. Ao meu ver ele é o personagem mais bem construído da história e mal posso esperar para ver em como ele vai evoluir.

A narrativa é bem agitada, variando entre cenas de ação, tensão e muito conflito emocional e isso contribui muito para a construção do ambiente para a batalha do final (e também para que eu fosse dormir duas horas depois do meu horário normal, com o pretexto de "só mais um capítulo ^^). Novos lugares e personagens são apresentados e temos uma visão bem mais ampla sobre o funcionamento da guarda escarlate (eu fiquei realmente impressionada em como eles são totalmente diferentes do que eu imaginava), o que contribui para começamos a ter uma melhor perspectiva de toda a trama politica, que a partir desse livro começa a se consolidar na história.

Minha única reclamação é sobre as mortes. Eu estava na bienal do livro quando a Victoria estava aqui e uns dos tópicos do painel eram sobre os personagens que ela matou, eu não fiquei nessa parte por motivos óbvios (não tinha lido os livros), mas pela reação do povo me pareceu que ela tinha transformado os livros numa espécie de Game of Thrones. Pois bem, agora que li o livro tenho a dizer que me decepcionei em relação a isso, pois todas as mortes foram muito previsíveis, mas isso não tirou o fato de que elas contribuírem para o andamento da história.

A Espada de Vidro é com certeza muito superior ao anterior, com reviravoltas surpreendentes, personagens mais maduros e um enredo de tirar o folego. Ele consolida ainda mais o mundo criado pela Victoria e nos deixa ainda mais apreensivos para o que pode vir nos próximos que pra mim vão ser ainda mais tiro, porrada e bomba ^^

4 comentários:

  1. Adorei, parece que a história fica muito mais agitada e empolgante nesse livro. Coisa boa. Ainda não comecei a série mas é legal saber que vai evoluindo...

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Oi Monique, uma coisa importante dessa série é superar o quão clichê é o primeiro livro, depois é só aproveitar a maravilhosidade que são os outros.

      Abraços

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  2. Oi Thaty!
    Tive a mesma sensação que vc, que Maven é o personagem mais bem construído, e o Cal fica lá chupando dedo. Sinceramente esperava muito mais do Cal, atitudes ousadas, e coragem. Mas ele se deixa levar demais pelos sentimentos dele. Fiquei um pouco decepcionada, espero que melhore no próximo livro.
    Obrigada pela resenha.
    Bjos
    http://www.kelenvasconcelos.com.br/

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    1. Realmente Kelen, o Cal é um personagem que nos deixa muito na expectativa pra nada. Eu sinceramente já desisti dele principalmente depois daquele final, mas vamos ver se ele se salva pelo menos nos capítulos finais do próximo.

      bjs

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