Resenha | A prisão do Rei - Victoria Aveyard

Ano: 2017
Páginas: 552
Editora: Seguinte
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Percebi durante essa maratona um padrão está se repetindo: termino de ler o livro, penso que não pode existir acontecimentos mais impactantes do que os que acabei de ler e logo depois percebo que estava completamente errada quando começo o próximo e a Victoria joga na minha cara que não sei nem metade do que as pessoas estão dispostas a fazer pelo trono e pela manutenção do poder de Norta.

Em a Prisão do Rei, Mare foi capturada e agora vive como prisioneira no palácio, a mercê das pedras silenciosas, da culpa e dos caprichos do jovem rei. Maven desenvolveu uma obsessão tão grande pela garota que até Mare começa a acreditar que eles estão fadados a ficarem junto, não importando as consequências que ambos vão sofrer. Além disso ele está mais disposto do que nunca em se manter no trono e acabar com a revolução dos vermelhos e para isso usa todas as lições que aprendeu com sua mãe. Enquanto isso a Guarda Escarlate continua a recrutar e treinar novos membros e com a ajuda de Cal (que continua mais indeciso do que nunca) começam a sair das sombras e finalmente partir para a guerra.

Primeiro vamos falar sobre como esse livro me fez perder toda a esperança que eu tinha do Maven se redimir e como isso torna o personagem um dos melhores que eu já vi. Até o livro passado eramos condicionados a pensar que todas as ações de Maven eram obra da manipulação de sua mãe e que quando ele se liberasse da sua influencia ele iria ajudar Mare a equilibrar a balança do sangue. Mas após a morte de Elara (que eu esperava que fosse bem melhor) percebemos que estávamos bem errados. Uma frase que é dita e que eu pensava toda a vez que o Maven fazia algo era "Elara era uma boa cirurgiã", pois isso explica muito sobre o quanto ele foi moldado pela mãe, sua personalidade instável e o modo como ele enxerga o mundo. As cenas entre ele e Mare são pontuadas dos melhores diálogos da série, intensos, cheios de segundas intenções e feitos para ao mesmo tempo atrair e ferir um ao outro. Elas ajudam o leitor a entender não só como o relacionamento entre os dois está cada vez mais profundo, mas também sobre como Maven virou a pessoa que é hoje, todos os traumas e todas as coisas que teve que fazer contra sua vontade.

Mare por sua vez encontra-se na pior fase de sua vida, pois descobre que ser prisioneira de Maven vai muito além do que enfrentar as celas de Whitefire. Estando sobre o constante peso das pedras silenciosas e dos guardas Arven, vemos que a tortura imposta pelo rei é muito mais psicológica do que física e Mare é obrigada a fazer coisas em que ser chicoteada resultaria em menos dor. Aqui vemos em como a Victoria é ótima com as descrições de sentimentos nos fazendo realmente sentir através das palavras a dor que Mare está sentido e como isso a afeta como um todo.

Como a garota elétrica está presa, pontos de vista de outros personagens são adicionados a narrativa e com isso temos Evangeline e Cameron nos dizendo como estão as coisas na corte e com a guarda escarlate respectivamente. As estranhas circunstancias em volta da ascensão de Maven faz com que uma guerra civil se instaure na corte e muitos prateados das grandes casas começam a dizer que Cal é rei por direito. Do lado da guarda, vemos que Farley está subindo na hierarquia e agora lidera um grande ataque que se der certo pode ser um grande marco para causa. Eu sinceramente esperava mais capítulos delas pois ambas são excelentes personagens e por terem aspirações diferente trazem um frescor a história

Ao contrário dos anteriores, esse é um livro tem muito mais de política do que ação, então é claro que tinha que ter mais coisas sobre os outros reinos. Lakeland, Piedmond e Montfort são muito mais explorados e descobrimos coisas sobre eles que particularmente me surpreenderam muito (principalmente sobre o começo da guerra entre Norta e Lakeland). Foi nessa parte que eu fiquei grata de ter um mapa no livro porque ficou muito mais fácil de entender como cada reino se relaciona com o outro.

A prisão do rei é um livro que eu sinto que não vai agradar muitos leitores por ser mais político e possuir partes bem mais monótonas do que os anteriores porém, depois que se acostuma com o novo ritmo, a história fica bem mais interessante e começamos a pensar como Mare e Julian que "todo mundo pode trair todo mundo" ainda mais quando se trata sobre quem irá governar Norta.