Resenha | A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes - Suzanne Collins

Ano: 2020
Páginas: 528
Editora: Scholastic Press
---------------------------------
Páginas: 576
Editora: Rocco
Compre

Quando a Suzanne Collins anunciou que iria lançar mais um livro sobre o mundo de Jogos Vorazes, tenho certeza que todos os fãs da série ficaram em êxtase sobre possuírem mais uma fonte sobre o universo de Panem e o quanto ele poderia enriquecer ainda mais as discussões que rodeiam a série. Também tenho certeza que foi um balde de água fria descobrir alguns meses depois que essa história seria contada pelo ponto de vista do presidente Snow, afinal quem gostaria de uma história contada pelo ditador de Panem? Porém após ler o livro pude perceber o quanto esse ponto de vista foi necessário para que pudéssemos entender melhor não apenas sobre o personagem do Snow, mas como tudo o que ele viveu refletiu no que conhecemos dos Jogos Vorazes do tempo de Katniss.

 

O livro se passa 10 anos após o fim da guerra entre a capital e os distritos, ou seja, a décima edição dos Jogos Vorazes está para começar e nesse ano uma grande mudança com relação aos jogos está para se feita e fazer como que o "evento" torne-se mais popular entre as pessoas: a implementação do sistema de mentores e para esse cargo são escolhidos os melhores estudantes da escola de elite da Capital e entre eles está Coriolanus Snow.

 

A família Snow é uma das mais importantes da Capital, mas que encontra-se em decadência já que todos os seus investimentos estavam no Distrito 13 e Coriolanus vê nos Jogos uma maneira de ser bem sucedido e garantir novamente o prestigio ao nome da família, entretanto ele vê esse sonho destruído quando descobre que vai mentorar a garota do pior distrito do país, o Distrito 12.

Como a própria Suzanne disse, o tema central dessa história é sobre a natureza humana, quem somos e o que percebemos ser necessário para nossa sobrevivência e para isso ela nos mostra uma trama muito mais política (e que eu particularmente adoro) e deixa os jogos em si em segundo plano. Aqui vemos como os dias escuros fizeram com que a população da Capital passasse a ter um rancor enorme dos distritos e como isso era refletido no jogos, nos fazendo entender como eles são importantes para manter o poder nas mãos da capital e principalmente o quão importante para a manutenção desse poder  conseguir um meio de passar esse sentimento adiante para as próximas gerações. Com isso vamos entendendo como a população foi sendo manipulada para assistir os Jogos mesmo sendo tão inumanos e horríveis  e como o evento passou de crianças numa arena de shows lutando até morte, para todo o evento glamorizado que irá se tornar anos mais tarde.

 

Uma das coisas que eu fiquei mais receosa quando descobri que o Snow iria ser o "herói" da história, era como ele seria retratado. Será que ele seria mais humanizado e que nós como leitores sabendo tudo o que ele irá fazer no futuro iríamos simpatizar com ele e acabar o perdoando por tudo o que irá fazer com os distritos no futuro? E a resposta foi um satisfatório não, já que desde o inicio vemos que o Snow não se importa com nada além dele e com o nome da família então prepare-se para uma narrativa que é feita justamente para que o leitor realmente não goste do personagem principal.

 

O personagem se acha merecedor de tudo o que há de melhor, afinal sua família é uma das mais antigas do país, e quando algo de ruim ou que pode arruinar sua reputação acontece, como por exemplo receber a garota do 12 para mentorar, ele se acha mega injustiçado. O que eu achei de mais horrível nesse personagem (e disso isso não de um jeito ruim) e que é algo que mostra como o Snow como presidente transformou a Capital e Jogos no que vemos na trilogia original é que a autora o coloca em várias situações em que ele poderia ser uma pessoa boa, com diálogos em que outros personagens apresentam argumentos válidos mostrando porque a situação X é ruim e o Snow cria um super raciocínio para justificar as ações que ele vai fazer para salvar a pele

Sejanus é um desses personagens, ele é um dos principais contrapontos para tudo o que o Snow acredita que é certo e através dos diálogos deles nós leitores somos constantemente lembrados do quanto a Capital é ruim e que nunca estará saciada com o poder que tem. Além disso um outro ponto que chamou muito minha atenção, foi sobre como as pessoas que eram dos distritos e acenderam socialmente por causa da guerra são vistas por essa sociedade. Eu achei muito muito bizarro ver que por mais que estejam numa situação decadente e algumas famílias (como a do Snow) vivendo de aparências, elas dizem que a cidade está sendo contaminada com pessoas de baixa escalão e que essas pessoas não podem ter acesso a mesma coisa que eles.😒

 

Outra personagem que merece destaque é a maravilhosa Lucy Gray que já mostra ao que veio desde a primeira cena em que aparece. O jeito como ela se porta diante das situações, as coisas que ela fala, as músicas que ela canta, tudo nessa personagem é uma certeza de que ela não vai mudar apenas os Jogos Vorazes, mas toda a Capital. Queria poder falar mais o tanto do impacto que ela causa na história, mas aí seriam spoilers enormes e vale a pena ir descobrindo tudo aos poucos, ir saboreando cada descoberta.


Falando agora sobre easter eggs, para mim ler essa história foi berro atrás de berro, pois como tinha relido toda a trilogia original tudo estava bem fresco na minha mente. Com isso pude ver em como esse livro conecta-se com os outros, fazendo com que eu criasse milhares de teorias sobre a ancestralidade da Katniss e até com uma sensação de que a raiva de que o Snow sente por ela vai muito mais do que o desafio a Capital com a amoras, mas sim uma coisa muito mais pessoal e intima. Então recomendo muito que vocês vejam nem que sejam os filmes para aproveitarem ainda mais o livro.

 

Essa é uma história que com certeza não vai agradar a todos, por causa de seu desenvolvimento mais lento e quase sem cenas de ação, mas ainda sim é uma grande adição ao mitologia da série. Com ela entendemos mais não apenas sobre o ditador do presidente Snow, mas também aprendemos sobre como todas as outras pessoas que governam Panem conseguiram manter o poder através de um programa onde crianças vindas de lugares com condições desumanas devem matar umas as outras.


2 comentários:

  1. Oi, Thaty!

    Adorei a resenha e conhecer mais sobre a história desse volume. Gosto de Jogos Vorazes, mas confesso que não tenho muita vontade de ler o livro, muito por já ter passado bastante tempo desde que li a trilogia, e pra entrar na vibe é necessário fazer que nem você fez, ler tudo de novo antes de começar o livro novo. Mas sem dúvidas deve ser uma experiência intrigante ter o Snow como protagonista hahaha

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Olá, Thaty.
    Acho que sou a única que não fiquei empolgada com esse livro. Eu amei Jogos Vorazes mas acredito que ficou ótima sendo uma trilogia e não tem o porque de ficar escrevendo mais sobre o assunto. E penso assim sobre vários séries que estão sendo revisitadas pelos autores. Mas cada um tem uma opinião hehe.

    Prefácio

    ResponderExcluir