Resenha | Endgame - Rules of the Game - James Frey e Nils Johnson-Shelton

Ano: 2016
Páginas: 327
Editora: HarperCollins
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Gostar de séries estrangeiras que não fazem tanto sucesso no Brasil é sempre uma caixinha de surpresa, afinal nunca se sabe até quando a editora vai continuar lançando os próximos volumes e pode acontecer de a história ser abandonada no meio deixando nós leitores desamparados sem saber como aquela história acaba. Isso aconteceu comigo enquanto lia a trilogia Endgame, que faltando apenas um livro pra concluir a história foi abandonada pela Intrinseca, e então 6 anos depois dessa decepção finalmente consegui atingir um nível de inglês suficiente para concluir a história que explodiu a minha cabeça. 


 [SPOILER DOS LIVROS ANTERIORES]


O Endgame chegou em sua fase final e agora que Maccabee é o detentor das duas chaves, resta apenas uma para coroá-lo como vencedor e assim garantir a salvação de toda a sua linhagem, mas depois da descoberta de Aisling de que o Endgame pode ser parado, salvando as milhares de vidas do planeta Terra, as regras do jogo mudaram e agora os jogadores devem escolher entre jogar o Endgame até o fim ou fazer o possível para pará-lo. Porém, não importa pelo o que eles estarão jogando, todos os jogadores têm uma coisa em comum: estão dispostos a morrer para cumprir sua missão.

 

Minha relação com esse último volume é cheio de sentimentos conflitantes, pois ao mesmo tempo que devorei esse livro em 5 dias e vibrava a cada página virada, no final me senti um pouco decepcionada ao ver como alguns personagens importantes foram praticamente deixados em segundo plano e como alguns mistérios que foram de grande foco nos livros anteriores foram esquecidos. 


Pra começar a redução de personagens fez com que o desenvolvimento dos mesmos ficasse mais elaborado, sendo possível conectar-se mais a eles de modo a entender melhor suas motivações para jogar ou acabar com o Endgame. Me incomodava o fato de nos livros anteriores eles focarem mais na Sarah (fato esse que eu acho que era porque ela é a jogadora americana) e eu fiquei muito feliz quando a Shari, Aisling e o Hilal começam a ter mais mais capítulos. Outro ponto positivo sobre a redução de personagens é que temos uma visão melhor de que apesar do modo de treinamento pro Endgame ser quase igual para todos as linhagens, o modo com ele é imposto a cada um dos jogadores reflete em como cada um vê o Endgame e como eles lidam com as decisões que tomaram ao logo do jogo pra chegarem onde estão. Eu particularmente adorei a trajetória da Sarah lutando para lidar com o fato de ter matado Christopher, a batalha interna da Shari para proteger a família e parar o Endgame e também entender mais sobre o porque do An ser do jeito que é.

 

 

Porém esse desenvolvimento não se estendeu aos personagens do ARG que foram introduzidos depois na narrativa. Depois do fiasco que foi a história do Ea no livro passado eu pensei que eles iriam  se redimir e melhorar a narrativa da Stela, porém mais uma vez fui iludida. A personagem foi tão mal utilizada que na minha opinião deveriam ter deixado a história dela no ARG e me poupado da raiva que passei com o que li. Outra revolta minha foi que do modo como a personagem da Nori Ko foi jogada na história e eu não conseguia pensar que a Nori Ko do livro era a mesma do ARG, simplesmente porque as personalidades não batiam! O único personagem que se salvou foi o Greg e acho que é porque ele foi o menos explorado no ARG então não tínhamos como criar expectativas sobre ele.

 

Sobre o plot, ele continua com tudo o que me fez adorar a série: cheio de cenas de ações dignas de filmes e bem mais imprevisível do que os outros, com tantos plot twists que por vezes eu tinha que ler novamente o parágrafo para ter certeza de que o que eu tinha lido tinha realmente acontecido e que aquele jogador tinha realmente morrido. Mas como eu citei anteriormente muitas coisas que foram indicadas como importantes nos livros anteriores foram deixados de fora, dando a impressão de que pra acabar a história dentro das 300 páginas, os autores tiveram que simplificar tudo, empobrecendo a mitologia da história. Tenho a impressão que essas lacunas seriam preenchidas com os conteúdos de transmídia, mas como não rolou, apenas seguiram em frente e tocaram o barco.


Com isso o final da trilogia foi algo diferente do esperado, muito rápido, sem muitas explicações, com um final aberto, não combinando em nada com toda a grandiosidade que foi a trilogia e por isso quando terminei o livro fiquei com o sentimento de que esperava algo mais, foi quase o mesmo sentimento que tive com o final de LOST: entendi, fez sentido, mas refletindo a construção da obra não me satisfez. Ah e sobre os puzzles, o do primeiro livro foi descoberto e o ganhador realmente levou o prêmio, mas infelizmente não consegui ver sobre os outros, já que nenhum dos links funcionam mais =/

 

 

Endgame começou como um projeto revolucionário, com uma narrativa de tirar o fôlego e a promessa de um novo modo de contar histórias, mas por causa de fatos desconhecidos (pelo menos pra mim) não conseguiu atingir o seu potencial, mas foi o suficiente para entregar uma boa historia mesmo tendo o projeto inicial (que incluia os livros, o ARG, um jogo mobile e 3 filmes) não sendo concluído completamente.